Sexta, 24 de julho de 2026

Viúva de gari assassinato em BH busca data para júri de empresário suspeito

Após quase um ano da morte do gari Laudemir de Souza Fernandes em Belo Horizonte, sua viúva reivindica a definição do julgamento do empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, atualmente em prisão preventiva.

Viúva de gari assassinato em BH busca data para júri de empresário suspeito
Foto: Reprodução/Redes sociais

Quase um ano após a morte do gari Laudemir de Souza Fernandes, que foi baleado enquanto trabalhava no bairro Vista Alegre, em Belo Horizonte, a viúva, Liliane França, cobra uma definição sobre o julgamento do empresário Renê da Silva Nogueira Júnior. O réu permanece preso preventivamente e ainda não há data para o Tribunal do Júri.

Laudemir foi morto em 11 de agosto de 2025, aos 44 anos. Desde então, Liliane relata que a dor da perda se mistura com a burocracia judicial que se arrasta sem previsão de fim. Ela expressa sua preocupação: “É incrível como, no Brasil, as coisas demoram a acontecer. Isso adoece a gente e traz doença mental, além do sofrimento pela perda de um ente querido.”

A decisão da Justiça em janeiro deste ano, de levar o caso a um júri popular, trouxe um alívio provisório a Liliane, mas a ausência de uma data concreta para o julgamento continua a atormentá-la.

“Hoje, o meu grito é para que marquem a data do julgamento do Renê. Eu espero que a nossa Justiça seja justa. O meu Lau já foi, mas existem muitas outras pessoas aqui fora”, afirmou.

O que mais incomoda é que o tempo não apaga a presença de Laudemir na vida de Liliane. Roupas e objetos ainda estão em seus lugares, e ela confessa que frequentemente busca por ele em momentos do cotidiano.

Por conta da situação, a família está recebendo apoio do sindicato da categoria, amigos, e embora não tenham auxílio financeiro da justiça, Liliane se sente impulsionada a agir e passou a dedicar parte de sua rotina à Casa do Gari, uma organização social que visa acolher e valorizar os trabalhadores da limpeza urbana.

A Casa do Gari, segundo Liliane, busca dar visibilidade às dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores da área, como a falta de banheiros e espaços seguros durante a jornada. A ideia é mostrar à sociedade a importância desses profissionais que, segundo ela, ajudam a cuidar da cidade.

Laudemir era um homem que, segundo a esposa, dedicava-se à família, sempre disposto a ajudar nas tarefas do lar e a cuidar das filhas e do neto. Ele foi assassinado após uma discussão de trânsito, quando Renê se irritou com o caminhão de coleta de lixo e disparou, atingindo-o no abdômen.

O Ministério Público denunciou Renê por homicídio triplamente qualificado e outros crimes, e a investigação revela uma mudança nas declarações do empresário, que inicialmente admitiu o disparo e depois negou qualquer envolvimento.

Enquanto o julgamento não acontece, Renê permanece preso, e a pressão da família por uma data para o júri continua.

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