Segunda, 15 de dezembro de 2025

CBF revela novo Fair Play Financeiro com regras rigorosas e metas até 2030

CBF revela novo Fair Play Financeiro com regras rigorosas e metas até 2030
Foto: Júnior Souza/CBF

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou, na quarta-feira (26), em São Paulo, um projeto ambicioso visando o controle econômico no futebol nacional, conhecido como Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF). Este modelo de fair play financeiro foi inspirado em padrões internacionais, como os da UEFA, Inglaterra, França e Espanha, mas foi adaptado para a realidade dos clubes brasileiros, especialmente em um período de crescimento do capital privado e das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs).

O objetivo principal do SSF é assegurar que os clubes mantenham suas despesas dentro de limites viáveis, promovam a gestão saudável de suas dívidas e garantam o equilíbrio financeiro. A implementação do sistema começará em 1º de janeiro de 2026, com uma transição gradual que se estenderá até 2030, quando todas as regras e punições estarão plenamente vigentes. A supervisão ficará a cargo da nova Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF).

QUATRO PILARES DO FAIR PLAY BRASILEIRO

O SSF é fundamentado em quatro eixos principais:

  • Controle de dívidas em atraso: Os clubes devem estar livres de dívidas vencidas com jogadores, funcionários e entidades públicas, com verificações trimestrais.
  • Equilíbrio operacional (superávit): As equipes devem encerrar suas contas anuais no azul, com limites específicos de déficit, incentivando a gestão responsável.
  • Controle de custos com o elenco: Há um limite de gastos com salários e encargos, fixado inicialmente em 80% das receitas, reduzindo para 70% na Série A a partir de 2029.
  • Endividamento de curto prazo: A dívida líquida em curto prazo não pode ultrapassar 45% das receitas a partir de 2030, com ajustes progressivos previstos.

IMPLANTAÇÃO DO MODELO

Times em recuperação judicial terão regras distintas a partir de abril de 2026, exigindo um congelamento salarial e limitação nas movimentações financeiras. Além disso, a CBF exigirá transparência por meio da apresentação de demonstrações financeiras auditadas e orçamentos anuais.

A CBF proíbe a multipropriedade de clubes, garantindo que um mesmo investidor não exerça controle em mais de uma equipe em competições da entidade. As regras aplicadas à Série C serão simplificadas, exigindo apenas a apresentação de balanços auditados.

PUNIÇÕES E MONITORAMENTO

O SSF prevê punições que vão desde advertências até rebaixamento, todas com critérios proporcionais e progressivos.

A CBF considera este modelo como um marco histórico, desenvolvido em colaboração com clubes e federações, adaptando diretrizes internacionais ao contexto brasileiro em um cenário de crescimento das SAFs. O presidente da entidade, Samir Xaud, destacou que o sistema é uma ferramenta de equilíbrio e proteção ao futebol, prometendo transformar a gestão dos clubes nos próximos anos.

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