Segunda, 25 de maio de 2026

Dengo, axé e samba: palavras africanas que fazem parte do Brasil

Dengo, axé e samba: palavras africanas que fazem parte do Brasil
© Marcello Casal jr/Agência Brasil

O cotidiano dos brasileiros é rico em palavras oriundas de línguas africanas, especialmente do tronco linguístico banto e iorubá. Essas palavras estão presentes na nomeação de comidas, sentimentos, partes do corpo e elementos culturais.

O Dia da África, comemorado em 25 de maio, foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em homenagem à criação da Organização da Unidade Africana (OUA) em 1963.

O babalaô Ivanir dos Santos, um importante pesquisador e pedagogo, destaca várias dessas palavras e seus significados:

  • Aluá: Bebida fermentada
  • Axé: Energia, força vital ou saudação
  • Bagunça: Desordem, confusão
  • Berimbau: Instrumento musical de corda
  • Bunda: Nádegas
  • Caçula: Filho mais novo
  • Cafuné: Carinho na cabeça, acariciar
  • Dengo: Manha, carência
  • Fubá: Farinha de milho
  • Moleque: Menino
  • Quitanda: Pequeno comércio de hortaliças ou mercado
  • Samba: Gênero musical e dança
  • Xodó: Pessoa muito querida, apego

Seu trabalho é amplamente reconhecido pela defesa dos direitos humanos e pela luta contra o racismo e a intolerância religiosa.

O linguista Ricardo Stavola Cavaliere, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), afirma que o português brasileiro abrange um extenso vocabulário de origem africana. Palavras como “vatapá”, “dendê”, “moqueca” e “farofa” são exemplos disso na culinária, e “berimbau” e “cuíca” na musicalidade.

Embora muitas palavras mantenham seus significados originais, algumas sofreram alterações semânticas, como no caso de “samba”, que se referia a um tipo de dança e hoje designa um gênero musical. Cavaliere também ressalta que as palavras africanas passaram por ajustes fonéticos ao ingressar no léxico do português.

O professor Cavaliere menciona que a presença de mulheres africanas nas atividades familiares é um fator que contribuiu para a inclusão de muitas dessas palavras no vocabulário cotidiano brasileiro, como cafuné, que tem origem no quimbundo e se refere ao ato de acariciar a cabeça.

Além disso, as línguas quimbundo, umbundo e quicongo foram as principais fontes etimológicas, especialmente com a chegada do tráfico escravagista a partir do século 16, demonstrando a influência cultural africana em vários aspectos da sociedade brasileira.

Geovany Fernandes-Cattuco, conhecido como Gio Cattuco, destaca a importância das palavras angolanas no Brasil. Ele aponta para exemplos como “dengo” e “muvuca”, que possuem origens específicas e significados que refletem a cultura africana.

Por fim, o professor Augusto Ribeiro enfatiza que a herança africana não se limita ao vocabulário, mas está presente em toda a cultura brasileira, e que cada palavra é um pedaço da história de resistência do povo.

O professor Gilvan Muller de Oliveira reforça a necessidade de celebrar a tradição africana no Brasil contemporâneo e promover relações que busquem colaborar de forma não colonial com os países africanos, especialmente no contexto educacional e cultural.

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