Sábado, 25 de julho de 2026

CBF revela novo Fair Play Financeiro com regras rigorosas e metas até 2030

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresenta o Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF), um novo modelo de fair play financeiro que promete regularizar as finanças do futebol brasileiro até 2030.

CBF revela novo Fair Play Financeiro com regras rigorosas e metas até 2030
Foto: Júnior Souza/CBF

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou, na quarta-feira (26), em São Paulo, um projeto ambicioso visando o controle econômico no futebol nacional, conhecido como Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF). Este modelo de fair play financeiro foi inspirado em padrões internacionais, como os da UEFA, Inglaterra, França e Espanha, mas foi adaptado para a realidade dos clubes brasileiros, especialmente em um período de crescimento do capital privado e das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs).

O objetivo principal do SSF é assegurar que os clubes mantenham suas despesas dentro de limites viáveis, promovam a gestão saudável de suas dívidas e garantam o equilíbrio financeiro. A implementação do sistema começará em 1º de janeiro de 2026, com uma transição gradual que se estenderá até 2030, quando todas as regras e punições estarão plenamente vigentes. A supervisão ficará a cargo da nova Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF).

QUATRO PILARES DO FAIR PLAY BRASILEIRO

O SSF é fundamentado em quatro eixos principais:

  • Controle de dívidas em atraso: Os clubes devem estar livres de dívidas vencidas com jogadores, funcionários e entidades públicas, com verificações trimestrais.
  • Equilíbrio operacional (superávit): As equipes devem encerrar suas contas anuais no azul, com limites específicos de déficit, incentivando a gestão responsável.
  • Controle de custos com o elenco: Há um limite de gastos com salários e encargos, fixado inicialmente em 80% das receitas, reduzindo para 70% na Série A a partir de 2029.
  • Endividamento de curto prazo: A dívida líquida em curto prazo não pode ultrapassar 45% das receitas a partir de 2030, com ajustes progressivos previstos.

IMPLANTAÇÃO DO MODELO

Times em recuperação judicial terão regras distintas a partir de abril de 2026, exigindo um congelamento salarial e limitação nas movimentações financeiras. Além disso, a CBF exigirá transparência por meio da apresentação de demonstrações financeiras auditadas e orçamentos anuais.

A CBF proíbe a multipropriedade de clubes, garantindo que um mesmo investidor não exerça controle em mais de uma equipe em competições da entidade. As regras aplicadas à Série C serão simplificadas, exigindo apenas a apresentação de balanços auditados.

PUNIÇÕES E MONITORAMENTO

O SSF prevê punições que vão desde advertências até rebaixamento, todas com critérios proporcionais e progressivos.

A CBF considera este modelo como um marco histórico, desenvolvido em colaboração com clubes e federações, adaptando diretrizes internacionais ao contexto brasileiro em um cenário de crescimento das SAFs. O presidente da entidade, Samir Xaud, destacou que o sistema é uma ferramenta de equilíbrio e proteção ao futebol, prometendo transformar a gestão dos clubes nos próximos anos.

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