Sábado, 30 de maio de 2026

INCA alerta sobre os perigos dos cigarros com sabor entre jovens

INCA alerta sobre os perigos dos cigarros com sabor entre jovens
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Nos dias atuais, o Brasil enfrenta não apenas uma batalha contra o vício em tabaco, mas também contra a indústria da nicotina, que tem como principais vítimas os adolescentes e jovens. Essa afirmação foi do diretor-geral do Instituto Nacional de Câncer (INCA), Roberto Gil, durante um evento realizado na última quinta-feira (28), em alusão ao Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio.

“Me impressiona a desinformação que a gente ainda tem, porque um produto que mata um em cada dois usuários, isso não é um produto que podia existir”, destacou Roberto Gil.

O Ministério da Saúde também tem chamado atenção para o uso de aromatizantes e dispositivos eletrônicos, que tornam a iniciação ao tabaco mais atrativa e palatável. Entre esses produtos, estão os cigarros aromáticos e os dispositivos eletrônicos para fumar (DEF), como vapes e pods, que adicionam sabores doces, refrescantes e cores às experiências de consumo.

Campanha de Conscientização

Com o tema “Desmascarando o apelo – combatendo a dependência de nicotina e tabaco”, a campanha deste ano abordará as estratégias utilizadas pela indústria fumageira para captar novos consumidores, especialmente crianças e adolescentes. De acordo com dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), aproximadamente 2,6 milhões de jovens de 13 a 15 anos consomem tabaco na América, e dois milhões utilizam cigarros eletrônicos. Um estudo apresentado pelo INCA em 2025 indica que o Brasil pode gastar até R$ 153 bilhões anualmente com doenças relacionadas ao tabagismo.

Regulamentação e Desafios

Em 2012, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabeleceu a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 14/2012, que proíbe o uso de aditivos que conferem sabor e aroma aos produtos de tabaco. Essa medida visa reduzir a atratividade de tais produtos.

No entanto, a indústria tem contestado a legalidade da norma em diversas instâncias do Judiciário, afirmando que a proibição inviabiliza a produção nacional de cigarros. Um artigo publicado este ano pela revista científica Tobacco Control, em parceria com o INCA, demonstra que cerca de metade das marcas de cigarros registradas no Brasil em 2025 não continham os aditivos proibidos.

O pesquisador André Zsklo, um dos autores do estudo, comentou: “O que a gente tá mostrando é que há viabilidade logística e de produção, o que não há é interesse mercadológico das indústrias de tabaco de colocar um produto que não tem esses aromas e sabores.”

Roberto Gil enfatizou a necessidade de uma proibição decisiva do STF sobre a produção desses aditivos para fortalecer a validade nacional da norma e evitar novas contestações.

Prevenção é Fundamental

A coordenadora de Política de Prevenção e Controle do Câncer Infantojuvenil do Ministério da Saúde, Suyanne Camille Caldeira Monteiro, afirmou que prevenir a iniciação é prioridade no combate ao vício em nicotina: “Não há dispositivo eletrônico para fumar seguro, especialmente quando falamos de jovens.”

O tabaco é um fator de risco comum para diversas Doenças Crônicas Não Transmissíveis, incluindo câncer, diabetes e doenças cardiovasculares. No Brasil, o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT) é coordenado pelo Ministério da Saúde, que articula políticas de prevenção e cessação do tabagismo.

Com informações: Agência Brasil

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