Sábado, 18 de abril de 2026

Deputado Glauber Braga entra em greve de fome na Câmara após votação da cassação

Deputado Glauber Braga entra em greve de fome na Câmara após votação da cassação
© Lula Marques/Agência Brasil

No plenário 5 do Anexo 2 da Câmara dos Deputados, o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) iniciou uma greve de fome na madrugada desta quinta-feira (10). A medida veio após o Conselho de Ética aprovar o parecer que pede sua cassação por quebra de decoro parlamentar, em votação que resultou em 13 votos a favor e 5 contra.

Braga alega ser alvo de perseguição política pelo fato de ter denunciado o Orçamento secreto e é acusado de ter agredido um militante de extrema-direita. Sem se comunicar com a imprensa para preservar energia, o deputado permanece no chão do plenário, acompanhando por assessores.

Ele relatou ter iniciado essa greve na noite de terça-feira (8), após não conseguir tomar café da manhã devido à ansiedade provocada pela votação. “Estou há 30 horas e 30 minutos apenas com ingestão de líquidos. Essa tática radical é uma decisão política: não serei derrotado por Arthur Lira e pelo Orçamento secreto”, declarou Braga em suas redes sociais.

A assessoria do parlamentar informou que ele está recebendo acompanhamento médico, com pressão arterial normal. “Hoje, ele ingeri dois copos de isotônico e água”, acrescentou. Inicialmente, a deputada Luiza Erundina (PSOL-SP) se uniria à greve, mas decidiu não participar após conversar com colegas.

Motivos da Greve de Fome

Segundo a assessoria de Glauber Braga, a greve de fome visa denunciar a perseguição política enfrentada pelo deputado e pressionar por uma resolução do caso, que já se arrasta há mais de um ano. O deputado está sendo investigado por uma representação do partido Novo, em decorrência da agressão a um militante do Movimento Brasil Livre (MBL) que ofendeu sua mãe.

Braga considera a punição desproporcional e afirma ser vítima de uma manobra política, supostamente orchestrada pelo ex-presidente da Câmara, Arthur Lira, em parceria com o relator do processo, Paulo Magalhães.

Braga também anunciou que recorrerá à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Caso a CCJ mantenha a decisão do Conselho de Ética, a votação final caberá ao plenário da Casa. Os partidos PT e PSOL já manifestaram a intenção de obstruir os trabalhos da Câmara contra a decisão.

O líder do PT, Lindbergh Farias, expressou a necessidade de uma discussão aprofundada sobre o tema, considerando que a situação envolve um deputado em greve de fome dentro do parlamento.

Contexto do Orçamento Secreto

Glauber Braga é um crítico fervoroso do Orçamento secreto, que permite o uso de emendas parlamentares sem indicar a autoria ou o destino dos recursos públicos. O PSOL já questionou essa prática no Supremo Tribunal Federal (STF), resultando em exigências por maior transparência na utilização do dinheiro público.

Arthur Lira negou as alegações feitas por Braga e ressaltou que a representação contra ele partiu do partido Novo.

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