Segunda, 01 de junho de 2026

Marcha do Orgulho Trans em São Paulo não ocorrerá em 2026

Marcha do Orgulho Trans em São Paulo não ocorrerá em 2026
© Paulo Pinto/Agência Brasil

A Marcha do Orgulho Trans, que acontece anualmente desde 2018 no centro de São Paulo, está cancelada para o ano de 2026.

No comunicado da última sexta-feira (31), o Instituto SSEX BBOX anunciou que deixará a organização do evento. “A decisão de não mais organizar a Marcha do Orgulho Trans de São Paulo representa um momento decisivo de transformação para a instituição. O cenário da comunidade trans mudou significativamente nos últimos nove anos – e suas necessidades e desejos, assim como os do Instituto, também evoluíram,” afirmaram.

Tradicionalmente, o evento se realizava na mesma semana da Parada do Orgulho LGBT+, prevista para ocorrer no domingo (7) deste ano.

O Instituto também anunciou que abrirá inscrições para que outros grupos possam assumir a organização da marcha nos anos seguintes. “Se antes a Marcha ocupava um lugar central e impulsionador, hoje ela coexiste com diversos outros eventos liderados por pessoas trans, igualmente potentes na celebração da nossa comunidade em toda a sua diversidade,” completou o comunicado.

Na semana passada, Lyon Adryan Ror, fundador do SSEX BBOX, comentou que o evento enfrenta dificuldades por conta da diminuição de patrocínios, especialmente desde a presidência de Trump nos EUA, o que afetou muitas iniciativas LGBTQIA+.

Ele declarou à colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo, que essa situação afetou direta e significativamente diversas organizações e projetos culturais. “Esse ecossistema de investimento e patrocínio ligado às iniciativas LGBTQIA+ mudou consideravelmente nos últimos anos. Isso teve impacto direto em muitas organizações, projetos culturais e iniciativas independentes — e nós não somos diferentes”, afirmou.

A Parada do Orgulho LGBT+ também enfrenta desafios similares. Nelson Matias Pereira, presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP), revelou uma redução de 60% na receita com patrocinadores, o que está afetando a organização do evento e suas ações sociais.

“Se você observar, eu vou ter só dois patrocinadores na Parada, e já tivemos seis grandes empresas patrocinando. É um ano difícil, é um ano em que a gente vai ter Copa, é um ano político, mas essa redução já vem se desenhando há um tempo”, explicou Pereira.

Este ano, artistas como Gloria Groove, Pepita, Diego Martins e Melody estão confirmados, e alguns deles anunciaram que abrirão mão de seus cachês para fortalecer a manifestação.

Com o tema 30 Anos Parada SP: A Rua Convoca, a Urna Confirma, a edição deste ano tem como proposta refletir sobre a mobilização popular, a participação política e a importância da ocupação das ruas como espaço democrático de cidadania, diversidade e visibilidade LGBTQIA+.

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