Faleceu nesta sexta-feira (5), aos 67 anos, Rosemary Alvares de Souza, mais conhecida como Dona Rosinha. Ela foi uma escritora, ativista e moradora do Quilombo Morro Santo Antônio, destacando-se como uma das lideranças comunitárias mais importantes de Itabira.
A confirmação de sua morte veio de seu filho, Vinicios Souza, que em uma emocionante publicação nas redes sociais a descreveu como uma “pequena grande mulher”. Ele ressaltou sua contribuição como escritora, ativista e defensora de direitos, e deixou claro que seu legado de resistência e resiliência continuará a inspirar gerações futuras.
O velório acontecerá neste sábado (6), das 8h às 14h, na Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade, seguido de um ato religioso na Igreja de Santo Antônio, no próprio Quilombo, das 14h30 às 16h30. O sepultamento está previsto para as 16h30. Dona Rosinha foi internada após passar mal após um evento, e a causa da morte ainda não foi divulgada.
Ela construiu sua trajetória no Morro Santo Antônio, onde presidiu a Associação do Quilombo e participou ativamente de diversas entidades do movimento comunitário da região. Sua atuação era voltada para a melhoria das condições de vida nos bairros, a valorização das mulheres e a organização comunitária.
A Prefeitura de Itabira emitiu uma nota lamentando a perda, destacando a coragem, participação e compromisso de Dona Rosinha na escrita da história de sua comunidade. A nota enfatiza sua habilidade de transformar as necessidades da comunidade em luta e esperança, além de sua dedicação à preservação da memória local.
Em uma entrevista dada à DeFato em 2022, Dona Rosinha compartilhou que sua jornada no associativismo começou em 1986, quando foi chamada para registrar pautas em reuniões comunitárias. Para ela, liderar é um trabalho conjunto, visando sempre a orientação e o aprendizado ao lado da comunidade.
Recentemente, ela lançou o livro “Memórias do Meu Quilombo”, que compila 16 relatos baseados em sua vida, infância, maternidade, religiosidade, ancestralidade e solidariedade no Quilombo. A obra foi apresentada durante o Festival Literário Internacional de Itabira (Flitabira), e contou com a presença de importantes figuras da literatura como Conceição Evaristo.
O legado de Dona Rosinha foi amplamente homenageado nas redes sociais, onde diversas instituições culturais e educacionais lamentaram sua morte. A escritora Luana Tolentino, que participou do lançamento de seu livro, expressou gratidão pela convivência e ressaltou que seu espírito de coragem e legado nunca serão esquecidos. O delegado Diogo Luna também se manifestou, lamentando a perda e valorizando os ensinamentos de Dona Rosinha sobre resistência.























