Sábado, 07 de março de 2026

Codema solicita prorrogação para análise de projeto de reaproveitamento de rejeitos da Vale em Itabira

Codema solicita prorrogação para análise de projeto de reaproveitamento de rejeitos da Vale em Itabira
Foto: Guilherme Guerra/DeFato

Membros do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Codema) solicitaram mais tempo para analisar o pedido de anuência e a Certidão de Uso e Ocupação do Solo apresentado pela mineradora Vale com o objetivo de reaproveitar rejeitos e bens minerais metálicos dispostos em barragens, diques, cavas e outras estruturas do Complexo Minerário de Itabira. A proposta foi apresentada na quinta-feira (12) e recebeu pedidos de vistas de Patrícia Freitas, conselheira e presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Subseção Itabira, e de André Viana, conselheiro do Codema e presidente do Sindicato Metabase.

O projeto traz como foco o reaproveitamento de rejeitos e estéreis já depositados nos diques Minervino e Cordão Nova Vista, barragem de Conceição, barragem e paliçadas do Rio do Peixe, além das cavas Onça e Periquito. Segundo a Vale, a iniciativa prevê o reaproveitamento de até 5 milhões de toneladas por ano de bens minerais metálicos, a recuperação de aproximadamente 5,8 milhões de metros cúbicos de material existente nas barragens e o beneficiamento do material nas usinas que já existem no complexo minerário.

Os conselheiros reconhecem a importância da proposta, porém, expressaram que ainda possuem dúvidas que precisam ser analisadas de forma mais detalhada antes de se posicionarem. Patrícia Freitas enfatizou: “Eu entendo a indiscutível importância do projeto, mas estudei e fiquei com algumas dúvidas e quero analisar melhor até para ter uma consciência tranquila para votar favorável ou contra ao que vem sendo solicitado”.

André Viana destacou que o projeto é vital para a sobrevivência de Itabira, mas que ajustes e contrapontos são necessários para garantir uma análise mais aprofundada. Ele sugeriu a convocação de uma reunião extraordinária para discutir o tema de forma mais detalhada. Além disso, outros conselheiros questionaram sobre possíveis impactos socioambientais e pediram que o tema fosse apresentado de forma mais acessível à população através de uma reunião pública, assim como feito em processos anteriores.

Elaine Mendes, presidente do Codema, negou a possibilidade de uma audiência pública nesta fase, ressaltando que se trata de anuência e não de licenciamento ambiental, e que audiência nesse estágio não é prevista por lei.

Agora, com os pedidos de vista formalizados, Patrícia Freitas e André Viana terão um prazo de sete dias para apresentar relatórios ao conselho, após o que a presidência avaliará a necessidade de uma reunião extraordinária antes de retomar a votação.

O projeto da Vale visa a redução do volume de rejeitos armazenados e a otimização das áreas licenciadas, seguindo o conceito de mineração circular, sem abertura de novas frentes de lavra. As operações têm previsão para iniciar em 2026, após o licenciamento ambiental, com cronogramas específicos para cada estrutura.

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