Hugh Montgomery, diretor do Centro de Saúde e Desempenho Humano da University College London, fez um importante alerta sobre os impactos das mudanças climáticas. Segundo ele, se a humanidade não agir rapidamente, a Terra poderá enfrentar uma extinção em massa, semelhante à do Período Permiano, quando cerca de 90% das espécies não sobreviveram.
A declaração foi feita durante o Forecasting Healthy Futures Global Summit, que teve início no Rio de Janeiro no dia 8 de março. O Brasil foi escolhido para sediar a conferência em virtude da realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30) em novembro deste ano.
Montgomery enfatiza que a extinção já se faz presente, caracterizando a mais rápida enfrentada pelo planeta, ressaltando que a humanidade tem um papel crucial neste processo. “A morte de espécies poderá se agravar caso a temperatura global suba 3 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais”, alertou. Em 2024, já constata-se um aumento de 1,5ºC, e as previsões indicam que, se a situação atual persistir, esse aumento pode chegar a 2,7 °C até 2100.
“Continuações dessa trajetória ameaçam a própria sobrevivência humana. Em 2022, emitimos 54,6 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente, um aumento de quase 1% em comparação ao ano anterior. As concentrações de CO₂ na atmosfera não estão apenas crescendo, mas de uma forma cada vez mais acelerada,” destacou o especialista.
Montgomery também alertou sobre outras consequências que podem ocorrer rapidamente. Um aumento temporário de 1,7 °C a 2,3 °C pode resultar no colapso das camadas de gelo do Ártico, levando a uma elevação do nível do mar em diversos metros e a sérias repercussões climáticas nos próximos 20 a 30 anos.
Ele mencionou ainda a importância de reduzir as emissões de metano, um gás que tem um potencial de aquecimento global 83 vezes maior que o do dióxido de carbono, principalmente liberado na exploração de gás natural. Montgomery defendeu que ações imediatas para despoluição são essenciais, ou o custo econômico global poderá aumentar drasticamente.
"É imprescindível pensar em medidas de adaptação às mudanças climáticas, pois já impactam a saúde da população. Porém, isso deve vir acompanhado de uma redução significativa e imediata nas emissões. Não podemos focar apenas nos sintomas quando a cura é necessária," concluiu.























