A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) promove, nesta segunda-feira (26/10/26), às 18 horas, uma audiência pública para discutir a possível instalação de uma unidade do Colégio Tiradentes da Polícia Militar nas dependências da Escola Estadual Coronel Juca Pinto, localizada no Bairro Universitário, em Belo Horizonte. O encontro, que ocorrerá na própria escola, foi convocado pela Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia após fortes críticas da comunidade local sobre a mudança.
Conflito sobre o fechamento da unidade
A deputada Beatriz Cerqueira (PT), que preside a comissão, questionou a lógica por trás da substituição da instituição atual. “Se a comunidade está satisfeita com o trabalho realizado pela escola atualmente, por que mexer no que está dando certo?”, questionou. A parlamentar ressaltou que encaminhará um relatório detalhado da situação para a Polícia Militar, a Secretaria de Estado de Educação (SEE) e o Ministério Público.
Impactos na oferta de ensino
A E.E. Coronel Juca Pinto possui quase seis décadas de história e atende 269 alunos com uma estrutura que inclui ensino fundamental, médio, técnico e Educação de Jovens e Adultos (EJA), além do tempo integral. O encerramento das atividades está previsto para 31 de dezembro, sendo que a escola passa atualmente por reformas avaliadas em R$ 1,4 milhão. A preocupação central reside no fato de que o modelo Tiradentes não contempla as modalidades de ensino técnico e EJA oferecidas na unidade.
Dúvidas sobre o planejamento estadual
A falta de clareza sobre o processo de expansão dos colégios militares tem sido um ponto de tensão recorrente. Em audiência anterior, a deputada Beatriz Cerqueira enfatizou a necessidade de transparência. “Precisamos entender qual é o diagnóstico. Onde os Colégios Tiradentes serão implantados, qual a demanda por alunos em cada região?”, afirmou. A parlamentar completou que, quando a legislação foi aprovada na ALMG, o governo garantiu que a construção de 30 Colégios Tiradentes não interferiria nas escolas estaduais regulares.
Contexto das vagas e comunidade
A resistência da comunidade do Bairro Universitário também envolve questões sociais e logísticas. Pais e alunos temem a impossibilidade de arcar com custos de transporte para outras escolas e a perda do atendimento especializado, inclusive para estudantes atípicos. Dayse dos Santos, ex-aluna e moradora da região, classificou a decisão como “absurda”, reforçando a qualidade do ensino atual.
Atualmente, o estado possui 60 unidades do Colégio Tiradentes. Embora atendam o público geral via sorteio, o foco prioritário da rede são os dependentes de policiais e bombeiros militares. Com o encerramento da Coronel Juca Pinto, a comunidade escolar teme o desmonte de um serviço educacional consolidado em prol de uma mudança que, segundo os críticos, carece de embasamento técnico e participação social.
Fonte: ALMG























