A cidade de Itabira perdeu nesta quinta-feira (22) uma de suas figuras mais emblemáticas. Nilo Almeida Brugnara, falecido aos 88 anos, deixou um legado inestimável como símbolo da boemia local, sendo o idealizador do tradicional Bar do Nilo, na Praça do Pará, um espaço que atravessou gerações.
Da alfaiataria ao sucesso no ramo de bebidas
A trajetória de Nilo começou longe das mesas de bar, atuando como alfaiate. A mudança de rumo profissional ocorreu por sugestão de um amigo, Zé Camilo, que o incentivou a comercializar bebidas. Segundo a neta Kimberly Amorim, o movimento começou de forma espontânea, com conhecidos que frequentavam o espaço para colocar a conversa em dia. Para viabilizar a iniciativa, Zé Camilo forneceu um freezer e grades de cerveja e guaraná, dando início a uma transformação que culminou no encerramento da alfaiataria.
Em uma entrevista concedida ao site Vila de Utopia em maio de 2024, Nilo relembrou os primeiros passos do negócio. O primeiro cliente foi Luiz Antônio Zanon, que trabalhava na Vale e, no dia seguinte, retornou acompanhado de seis colegas. O sucesso foi imediato e o bar atingiu números expressivos, chegando a operar com dez freezers e comercializar 120 caixas de cerveja por noite. Sobre a clientela fiel, ele declarou na mesma entrevista: “Era uma turma muito animada que vinha aqui, todos eram meus amigos e amigas”.
Memória afetiva e vida familiar
Além da música — marcada pelas interpretações de Nelson Gonçalves feitas pelo próprio Nilo — o estabelecimento foi um negócio familiar. Sua esposa, Rosa, a Rosinha, era presença constante vendendo chup-chup em uma janela próxima. O casal, que permaneceu unido por mais de meio século, tornou-se parte da identidade cultural da região. Embora o bar tenha fechado as portas em 2012, ele reabriu em 2024 sob o comando de Luciano de Oliveira Almeida, filho de Nilo, permitindo que o patriarca voltasse a cantar para os antigos frequentadores em um reencontro emocionante.
A relação com a família
Para além da figura pública, Nilo era um pilar afetivo para seus familiares. Sua neta, Kimberly Amorim, que foi criada pelos avós, descreve a perda com profunda emoção. “Ele era, assim, pra mim, o grande amor da minha vida”, afirmou. Ela destaca a atenção e o carinho do avô, definindo-o como uma inspiração constante: “Ele é o meu ídolo mesmo. Ele era maravilhoso”.
Nilo Almeida deixa dois filhos, Luciano e Fabiano de Oliveira Almeida, além de sete netos. As últimas homenagens ocorrem nesta sexta-feira (23), com velório a partir das 12h e sepultamento marcado para as 16h no Cemitério da Paz, em Itabira.
Fonte: Defatoonline























