Sexta, 23 de outubro de 2026

Morre Nilo Almeida, ícone da boemia em Itabira, aos 88 anos

O proprietário do lendário bar na Praça do Pará transformou sua antiga alfaiataria em um dos pontos de encontro mais famosos da cidade.
Nilo Almeida, símbolo da boemia de Itabira, morre aos 88 anos

A cidade de Itabira perdeu nesta quinta-feira (22) uma de suas figuras mais emblemáticas. Nilo Almeida Brugnara, falecido aos 88 anos, deixou um legado inestimável como símbolo da boemia local, sendo o idealizador do tradicional Bar do Nilo, na Praça do Pará, um espaço que atravessou gerações.

Da alfaiataria ao sucesso no ramo de bebidas

A trajetória de Nilo começou longe das mesas de bar, atuando como alfaiate. A mudança de rumo profissional ocorreu por sugestão de um amigo, Zé Camilo, que o incentivou a comercializar bebidas. Segundo a neta Kimberly Amorim, o movimento começou de forma espontânea, com conhecidos que frequentavam o espaço para colocar a conversa em dia. Para viabilizar a iniciativa, Zé Camilo forneceu um freezer e grades de cerveja e guaraná, dando início a uma transformação que culminou no encerramento da alfaiataria.

Em uma entrevista concedida ao site Vila de Utopia em maio de 2024, Nilo relembrou os primeiros passos do negócio. O primeiro cliente foi Luiz Antônio Zanon, que trabalhava na Vale e, no dia seguinte, retornou acompanhado de seis colegas. O sucesso foi imediato e o bar atingiu números expressivos, chegando a operar com dez freezers e comercializar 120 caixas de cerveja por noite. Sobre a clientela fiel, ele declarou na mesma entrevista: “Era uma turma muito animada que vinha aqui, todos eram meus amigos e amigas”.

Memória afetiva e vida familiar

Além da música — marcada pelas interpretações de Nelson Gonçalves feitas pelo próprio Nilo — o estabelecimento foi um negócio familiar. Sua esposa, Rosa, a Rosinha, era presença constante vendendo chup-chup em uma janela próxima. O casal, que permaneceu unido por mais de meio século, tornou-se parte da identidade cultural da região. Embora o bar tenha fechado as portas em 2012, ele reabriu em 2024 sob o comando de Luciano de Oliveira Almeida, filho de Nilo, permitindo que o patriarca voltasse a cantar para os antigos frequentadores em um reencontro emocionante.

A relação com a família

Para além da figura pública, Nilo era um pilar afetivo para seus familiares. Sua neta, Kimberly Amorim, que foi criada pelos avós, descreve a perda com profunda emoção. “Ele era, assim, pra mim, o grande amor da minha vida”, afirmou. Ela destaca a atenção e o carinho do avô, definindo-o como uma inspiração constante: “Ele é o meu ídolo mesmo. Ele era maravilhoso”.

Nilo Almeida deixa dois filhos, Luciano e Fabiano de Oliveira Almeida, além de sete netos. As últimas homenagens ocorrem nesta sexta-feira (23), com velório a partir das 12h e sepultamento marcado para as 16h no Cemitério da Paz, em Itabira.

Fonte: Defatoonline

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