Sábado, 06 de dezembro de 2025

Jurista propõe estratégias para um combate eficaz ao crime organizado no Brasil

Jurista propõe estratégias para um combate eficaz ao crime organizado no Brasil
© Divulgação/Walfrido Warde

As recentes operações policiais contra as redes de crime organizado em todo o país reacenderam o debate sobre as melhores abordagens para enfrentar essas organizações criminosas. O jurista Walfrido Warde defende que a integração das forças de segurança e a criação de uma autoridade nacional antimáfia são essenciais para um combate assertivo às máfias brasileiras.

“Se nós articularmos tudo, se fizermos um combate harmônico sob uma coordenação única, isso evitaria a descoordenação, a desarticulação e a politização do processo de combate às máfias do Brasil”, afirmou o jurista em entrevista à Agência Brasil.

Na última semana, Warde e o promotor de Justiça Lincoln Gakiya lançaram na capital paulista o livro Segurança Pública: o Brasil Livre das Máfias, que analisa o crescimento do crime organizado nas estruturas sociais, políticas e econômicas do Brasil.

Na obra, os autores detalham a infiltração das maiores organizações criminosas do país, PCC e Comando Vermelho, em setores políticos e econômicos. No âmbito econômico, Warde aponta a presença de criminosos em diversas atividades, incluindo transporte, imobiliário e redes de restaurantes. Ele menciona ainda contratos com a administração pública e atuação no mercado financeiro.

Na área política, essa infiltração acontece através do financiamento de campanhas eleitorais. “Já há investigações em andamento sobre o crescente financiamento criminoso de campanhas eleitorais no Brasil. Com o fim do financiamento empresarial, as organizações mafiosas veem uma oportunidade de financiar campanhas eleitorais com seu capital disponível”, explica Warde, que também preside o Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa.

Para Warde, a falta de articulação entre as forças de segurança prejudica as ações de combate. “O governo federal conta com apenas a Polícia Federal, que possui um efetivo de cerca de 15 mil agentes, e, somando-se a Polícia Rodoviária Federal, este número não chega a 20 mil. Por outro lado, os efetivos estaduais são muito superiores”, enfatiza.

Ele argumenta que a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública deveria contemplar a criação de uma autoridade nacional antimáfia, que atuaria em parceria com a Polícia Federal e as polícias estaduais, civis e militares.

Warde afirma que é essencial classificar o nível de envolvimento de indivíduos e instituições nas organizações mafiosas. “É imprescindível tipificar o envolvimento dos criminosos nas organizações”, destaca.

Os autores do livro também sugerem a reinstituição do financiamento empresarial para campanhas, sob regras rigorosas de transparência e rastreabilidade, como uma forma de combater o financiamento do crime organizado.

Diante dessa realidade, o jurista conclui que as infiltrações apontam para um estágio avançado do crime organizado que precisa ser enfrentado de forma mais efetiva.

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