Terça, 11 de agosto de 2026

Minas Gerais projeta déficit recorde de R$ 7,67 bilhões para 2027

O estado de Minas Gerais, através da nova LDO sancionada, enfrenta um desafio significativo em seu orçamento, com previsão de um déficit de R$ 7,67 bilhões para 2027.

Minas Gerais projeta déficit recorde de R$ 7,67 bilhões para 2027
Foto: Guilherme Bergamini

O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), sancionou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o exercício financeiro de 2027, conforme publicação no Diário Oficial do Estado. O texto aponta um déficit nas contas públicas estaduais estimado em R$ 7,67 bilhões, um montante que representa um aumento de cerca de 47% em comparação ao déficit previsto para 2026.

A definição das projeções estabelece a arrecadação total em R$ 142,79 bilhões, com um incremento de 0,74% em relação ao ano anterior. Enquanto isso, as despesas gerais somam R$ 150,46 bilhões, refletindo um aumento de 2,38% nos gastos.

O balanço financeiro aponta uma baixa margem para novos investimentos, visto que as despesas obrigatórias atingem R$ 132,7 bilhões, o que corresponde a 88,2% da arrecadação total. A folha de pagamento dos servidores e encargos sociais consumirá R$ 96,2 bilhões desse valor.

Além disso, o custo do serviço da dívida do estado para 2027 está estimado em R$ 7,76 bilhões, evidenciando um crescimento de 21,03% em relação a 2026, impulsionado pelo cronograma do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).

Este novo modelo, que substituiu o Regime de Recuperação Fiscal, prevê a retomada gradual das amortizações com a União, estipulando um pagamento de 40% do montante devido para o ano seguinte. Em adição, a legislação considera a concessão de R$ 26,21 bilhões em incentivos fiscais e isenções tributárias, sendo R$ 22,78 bilhões concentrados no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

A sanção pelo Poder Executivo foi acompanhada de três vetos parciais a emendas apresentadas pelos parlamentares da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), barrando dispositivos que exigiam a publicação bimestral de relatórios de transparência sobre o Fundo de Erradicação da Miséria (FEM) e investimentos em educação profissional, além de regras de cobertura do tesouro para a previdência dos militares e a flexibilização do pagamento de emendas parlamentares na saúde e na educação.

O governo alegou que essas disposições continham vícios de inconstitucionalidade e extrapolavam o escopo legal da LDO. Agora, os vetos passarão por avaliação de uma comissão especial na ALMG e precisarão de 39 votos no plenário para serem rejeitados pelos deputados estaduais.

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