Segunda, 15 de dezembro de 2025

Davi Alcolumbre reduz tempo para sabatina de Jorge Messias no Senado

Davi Alcolumbre reduz tempo para sabatina de Jorge Messias no Senado
Jorge Messias é o indicado de Lula para a vaga de Barroso no STF- Foto: José Cruz/Agência Brasil

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), agendou para 10 de dezembro a sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). Essa decisão surpreende o Palácio do Planalto, que esperava mais tempo para que Messias pudesse realizar sua peregrinação pelos gabinetes do Senado.

A intenção de Alcolumbre é limitar o tempo que Messias terá para mobilizar apoio, fazendo contato com lideranças evangélicas, integrantes do governo e ministros do STF, algo essencial para quebrar a resistência ao seu nome. Jorge Messias necessita de ao menos 41 votos dos 81 senadores.

Praticamente dobrando a aposta, Alcolumbre ofereceu apenas 15 dias ao advogado para conquistar apoio, o que se traduz em apenas 10 dias úteis para se comunicar com os senadores, dificultando enormemente sua tarefa.

Um interlocutor do presidente do Senado revelou que Alcolumbre deseja evitar o mesmo erro que ocorreu na indicação de André Mendonça ao STF, em 2021. Na época, devido à sua origem judaica, Alcolumbre enfrentou uma intensa campanha nas redes sociais, onde pastores amapaenses o acusaram de travar uma “guerra santa” contra um “evangélico”. Isso resultou em uma pressão que culminou na rejeição do nome dele.

Apesar de ter preferências por outros nomes como o do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Augusto Aras, ex-procurador-geral da República, que ocupam as vagas recentemente deixadas por Mendonça e Messias, a situação de Jorge Messias é delicada. Aliados do presidente Lula acreditam que a estratégia de Alcolumbre pode ser um erro caro se ele não conseguir criar um obstáculo para a nomeação de Messias, que, caso não aceite bem a derrota, pode se tornar um adversário no STF por muito tempo.

André Mendonça expressou apoio ao nome de Jorge Messias e disse que se comprometeu a trabalhar para amenizar a sua rejeição no Senado, especialmente entre o grupo bolsonarista e a oposição, que vêem Messias como alinhado à ideologia do PT, próximo a Dilma e Lula. Ambos são evangélicos, com Mendonça sendo pastor da Igreja Presbiteriana e Messias da Igreja Batista.

A história das indicações ao STF mostra que o Senado não rejeita uma indicação presidencial desde Floriano Peixoto, em 1894. Contudo, neste terceiro mandato de Lula, houve uma indicação barrada: Igor Roque, para a Defensoria Pública, que foi rejeitada por 38 votos. Roque tinha uma postura pública ativa antes mesmo de sua confirmação, o que irritou senadores.

Até o momento, Messias tem atuado com cautela, procurando se manter no radar, enquanto a nomeação do sucessor de Luís Roberto Barroso, que se aposentou, aguarda o anúncio de Lula.

*FONTE: O GLOBO

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