Quarta, 15 de julho de 2026

Críticas de Mario Sarrubbo: O Governo Lula e a Segurança Pública

Na visão de Mario Sarrubbo, a segurança pública nunca foi prioridade no governo Lula, com implicações sérias para suas políticas de combate ao crime.

Críticas de Mario Sarrubbo: O Governo Lula e a Segurança Pública
Mario Sarrubbo foi secretário nacional de Segurança Pública- Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Mario Sarrubbo, ex-secretário nacional de Segurança Pública, afirmou em entrevista ao programa Ponto de Vista, da revista Veja, que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nunca priorizou a agenda de segurança pública. Segundo Sarrubbo, essa postura é atribuída a uma questão ideológica.

Ele ressaltou que a falta de atenção ao tema comprometeu o avanço de projetos estratégicos durante seu tempo à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Ao responder perguntas de Robson Bonin, da coluna Radar, ele disse que a segurança pública historicamente não está no centro das preocupações da esquerda e que, apenas com a gestão do então ministro Flávio Dino, o assunto começou a receber maior foco na pasta.

“Dino iniciou projetos voltados ao enfrentamento do crime organizado e determinou que a Secretaria Nacional de Segurança Pública desenvolvesse iniciativas na área”, explicou Sarrubbo. No entanto, ele criticou o fato de que o governo ainda não tratou a segurança pública como prioridade, e que cortes orçamentários comprometeram a execução de diversas ações, especialmente em 2025, resultando na paralisação de projetos por falta de recursos.

Apesar das críticas, Sarrubbo comemorou os trabalhos atualmente desenvolvidos pelo Ministério da Justiça, mencionando que algumas das iniciativas foram idealizadas durante sua gestão, sob a liderança de Lewandowski. Ele enfatiza que a política de segurança pública precisa avançar com planejamento a longo prazo.

O ex-secretário também criticou abordagens que reduzem o debate sobre segurança ao simples aumento de penas ou redução da maioridade penal. Ele destacou que o enfrentamento ao crime organizado requer ações integradas entre as forças de segurança, assim como o fortalecimento das polícias civis e um aumento na capacidade de investigação.

Sarrubbo defendeu a necessidade de investimentos permanentes na capacitação, profissionalização e valorização dos agentes de segurança, ressaltando que os resultados de tais investimentos não são imediatos e demandam continuidade ao longo de diferentes gestões, numa lógica similar à implementada nas políticas de educação.

Ao se referir à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública que está sendo discutida no Congresso, Sarrubbo manifestou-se contra a aprovação do texto da forma como se apresenta, classificando-o como um retrocesso em relação ao Sistema Único de Segurança Pública (Susp), que considera um grande avanço na legislação brasileira. Ele criticou também as modificações feitas pelo Congresso em projetos concebidos pelo Ministério da Justiça para combater o crime organizado, afirmando que propostas direcionadas ao enfraquecimento das estruturas financeiras das facções acabaram sendo desfiguradas durante a tramitação.

Por fim, Sarrubbo pontuou que a polarização política e ideológica em torno da segurança pública continua a ser um dos maiores obstáculos para a implementação de políticas de estado eficazes contra a criminalidade.

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