Sábado, 14 de março de 2026

Câmara dos Deputados rejeita voto secreto na PEC da Blindagem por falta de quórum

Câmara dos Deputados rejeita voto secreto na PEC da Blindagem por falta de quórum
© Lula Marques/Agência Brasil

Na madrugada desta quarta-feira (17), a Câmara dos Deputados votou e, devido à insuficiência de quórum, decidiu derrubar o destaque que mantinha o voto secreto nas autorizações de processos criminais contra senadores e deputados.

Foram registrados 296 votos a favor do voto secreto; no entanto, o total mínimo necessário para a manutenção da regra era de 308.

Inicialmente incluído na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem, essa norma foi rejeitada por apenas 12 votos. O destaque apresentado pelo partido Novos propunha a exclusão do termo “secreto” do texto da proposta.

Votação e Posições

Os partidos que formavam o bloco a favor do voto secreto incluíam PL, União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB, Cidadania e Podemos, além de contar com apoio da oposição.

No entanto, o voto contra o secreto foi apoiado pelos partidos como PT, PSOL, Rede e Novo, enquanto o restante não se posicionou, com o governo abrindo a votação na sua bancada.

Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição, argumentou que a manutenção do voto secreto é fundamental para evitar que parlamentares sejam “chantageados” ao decidir sobre processos contra colegas. Por outro lado, Helder Salomão (PT-ES) defendeu que os parlamentares têm o dever de mostrar seus votos à população.

“O eleitor precisa do sigilo do voto, para votar com liberdade. Agora, o eleito não pode ter o direito ao sigilo do voto. Quem se elege tem que mostrar o seu posicionamento.”

Detalhes da PEC

A PEC da Blindagem estipula que deputados e senadores só podem ser processados criminalmente mediante autorização das respectivas casas legislativas no Supremo Tribunal Federal (STF) dentro de um prazo de 90 dias após a denúncia, com exceções para prisões em flagrante por crimes inafiançáveis.

Além disso, o texto-base da PEC foi aprovado em dois turnos, permitindo também foro especial no STF para presidentes de partidos representados no Congresso Nacional, um benefício reservado atualmente a poucas autoridades.

A proposta ganhou destaque no cenário político recente, em meio a questionamentos sobre ações judiciais e punições a parlamentares, especialmente após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os defensores da PEC afirmam que ela serve como proteção contra supostas perseguições políticas.

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