Às vésperas de mais uma cerimônia do Oscar, o cinema brasileiro retorna aos holofotes internacionais. Após a vitória histórica de Ainda Estou Aqui como melhor filme internacional na edição anterior, o país traz novamente à disputa O Agente Secreto, indicado em quatro categorias.
Dirigido por Walter Salles e com Fernanda Torres no elenco, Ainda Estou Aqui alcançou 5,8 milhões de espectadores nos cinemas nacionais, consolidando-se como um dos maiores sucessos do cinema brasileiro.
Por sua vez, O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, estrelado por Wagner Moura, também se destacou e ultrapassou a marca de 2,5 milhões de ingressos vendidos no Brasil. Este sucesso fomenta o debate sobre o espaço do cinema brasileiro no mercado atual.
Esses feitos refletem um momento de expansão do audiovisual brasileiro, embora especialistas alertem que o desempenho nas salas de exibição ainda apresenta desigualdades. Dados da Agência Nacional do Cinema mostram que o audiovisual nacional registrou R$ 1,41 bilhão em recursos públicos em 2025, o maior volume da história, representando um crescimento significativo em relação aos anos anteriores.
Atualmente, 1.556 projetos estão em execução com apoio direto da agência, enquanto 3.697 aguardam captação de recursos. Além disso, o Brasil contabilizou 3.981 obras audiovisuais não publicitárias em 2025, estabelecendo um novo recorde.
O Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) tem sido um pilar fundamental desse crescimento, tendo contratado R$ 564 milhões na modalidade de investimento direto em 2025. Esse aumento do financiamento público é crucial para a ampliação da produção, geração de empregos e fortalecimento da presença internacional do cinema brasileiro.
Contudo, a realidade dos espectadores revela que muitos filmes ainda enfrentam dificuldades. Em 2025, seguindo levantamento do portal Filme B, o total de público para produções brasileiras foi de 11,9 milhões, mas 73% deste público concentrou-se em apenas sete filmes. A média de espectadores por filme ficou em 719, apontando um desafio na distribuição das obras.
A política de cota de tela, inserida na Lei 14.815/2024, busca ampliar o espaço do cinema nacional. Regulamentações recentes exigem que cinemas reservem um número mínimo de sessões para filmes brasileiros, promovendo uma maior diversidade nos cartazes.
Apesar dos recordes de investimento e crescente reconhecimento, estratégias integradas são necessárias para que o cinema brasileiro alcance um público mais amplo, desde a produção até a exibição nas salas. O diretor Kleber Mendonça Filho discute essa problemática em seu documentário Retratos Fantasmas.
A diretora da distribuidora Vitrine Filmes, Silvia Cruz, reforça que o sucesso de O Agente Secreto reflete uma nova relação do público com a cultura:
“A cultura deixou de ser algo periférico e passou a ser motivo de orgulho coletivo.”
Segundo ela, o engajamento do público brasileiro tem repercussões no reconhecimento internacional e no fortalecimento da identidade cultural.























