Sábado, 18 de abril de 2026

A Sedução do Conclave: A Competição entre Esquerda e Direita

A Sedução do Conclave: A Competição entre Esquerda e Direita
Blog do PCO

A atenção da mídia mundial, nos últimos dias, se voltou para uma das eleições mais antigas que se tem notícia: o Conclave. Mesmo aqueles que não são religiosos ou que não seguem o catolicismo demonstram interesse pelo simples fato de existir uma votação, repleta de tradições e regras especiais. E, como em toda disputa, alguém tem que vencer. Com exceção do futebol, considerado o maior espetáculo da terra, talvez a única atração que mantém os patrocinadores da TV aberta. No campo ou na quadra, jogos podem terminar empatados, mas no contexto eleitoral, o resultado acaba beneficiando uma das partes. Em eleições, não há empate.

Justamente aí reside o aspecto mais sedutor de toda eleição: a vitória. O confronto nas redes sociais entre esquerdistas e direitistas só ganha sentido após o resultado das eleições, quando um dos dois lados será vitorioso. Seria ingênuo acreditar que a troca de argumentos, muitas vezes expressa de forma agressiva, convencerá alguém a mudar de opinião ou que um dos lados admitirá a derrota. É ainda mais ingênuo afirmar que se trata de um debate político. A maioria destas pessoas nunca participou de uma reunião entre políticos profissionais, onde a premissa é concluir o mínimo possível e sempre deixar possibilidades abertas.

O ser político, na maioria dos casos, contradiz o que os eleitores mais fervorosos almejam: a necessidade de provar que são melhores do que o opositor. Políticos expressivos ou experientes conseguem vencer eleições mesmo sem serem os mais votados nas urnas. Além disso, muitos dos debatedores fervorosos defendem seu lado na polarização mais por ambição ou vaidade por uma futura vitória que, diga-se de passagem, mudaria pouco seu cotidiano. A classe média alta, raramente, precisa do auxílio direto do poder público, mas são estes indivíduos que muitas vezes se mostram mais empolgados com o processo eleitoral.

Assim, 2026 se aproxima com a competição entre esquerda e direita. Algo tão marcante e intenso não se dissipa facilmente. Independente dos nomes dos candidatos envolvidos, há uma sólida base de mais de 20% de apoiadores fiéis de cada lado. Vencer significa muito; eleva a autoestima, mesmo que nada de concreto realmente mude. Para desespero de muitos, quem verdadeiramente decide o pleito são aqueles que não se identificam com nenhum dos lados. Aqueles que não são seduzidos pelo jogo político, mas que realmente necessitam de governantes que melhorem seu cotidiano, mesmo que em aspectos pequenos. Afinal, assim como no conclave, os cardeais decidem, mas quem realmente precisa são os fiéis.

Igor Carvalho de Lima – Dono do Instituto Viva Voz, mestre em administração mercadológica e marketing, com especialização no comportamento do consumidor e do eleitor.

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Email

Leia também...

Últimas notícias