A região da Pan-Amazônia, que abrange nove países da América do Sul, conta atualmente com 232 políticas, programas e instrumentos públicos voltados à bioeconomia. Para organizar esse cenário complexo, a Rede Pan-Amazônica pela Bioeconomia lança o Radar Bioecon, uma plataforma digital que centraliza informações sobre o fomento a atividades econômicas baseadas na biodiversidade local.
Integração regional e transparência
A nova ferramenta, que será apresentada oficialmente durante a 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (COP17), na Armênia, mapeia iniciativas em países como Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela. O objetivo central é superar a fragmentação das políticas públicas, que hoje esbarram na falta de comunicação entre governos e em dificuldades de acesso ao crédito.
O Radar Bioecon permite que gestores e pesquisadores comparem estratégias que variam desde mecanismos de compras públicas até incentivos diretos à produção comunitária. A expectativa é que, ao identificar experiências exitosas, os países possam promover uma cooperação mais eficiente.
Desafios para o desenvolvimento local
Apesar do potencial econômico — na Amazônia Legal brasileira, apenas 13 produtos da sociobiodiversidade movimentam cerca de R$ 12 bilhões anuais —, o acesso aos benefícios ainda é limitado. Juliana Simões, co-líder do Grupo de Trabalho de Políticas Públicas da Rede Pan-Amazônica pela Bioeconomia e especialista em políticas públicas e bioeconomia na organização The Nature Conservancy (TNC) Brasil, ressalta a importância de levar o suporte estatal para a ponta da cadeia produtiva.
“Para que a bioeconomia se consolide como uma alternativa de desenvolvimento econômico para a Pan-Amazônia, precisamos tratá-la como uma agenda de Estado, com planejamento de longo prazo e continuidade das políticas públicas”, defende Juliana.
Barreiras no financiamento e execução
O levantamento também expôs uma disparidade no setor financeiro. De 141 mecanismos de financiamento mapeados, apenas 8,5% são destinados especificamente à sociobiodiversidade. A burocracia e as exigências de garantias reais impedem que cooperativas e associações acessem fundos climáticos ou linhas de crédito voltadas ao desenvolvimento verde.
Para Bruno Castro Lacerda, co-líder do grupo de trabalho da Rede Pan-Amazônica pela Bioeconomia e consultor em bioeconomia para a conservação na organização Conservação Internacional, o mapeamento é o primeiro passo para corrigir essas falhas estruturais.
“Essa visão regional é importante para fortalecer a cooperação entre os países e construir políticas que tenham continuidade no longo prazo, contribuindo para consolidar a bioeconomia como uma agenda estratégica de desenvolvimento”, afirma.
A plataforma funcionará de forma colaborativa, permitindo que usuários sugiram atualizações e novas políticas, que serão submetidas a uma curadoria especializada para manter a precisão dos dados regionais.
Fonte: Agência Brasil























