Quarta, 13 de maio de 2026

Papa Leão XIV aborda neutralidade do Vaticano sobre acusações de genocídio em Gaza

Papa Leão XIV aborda neutralidade do Vaticano sobre acusações de genocídio em Gaza
Papa Leão XIV em celebração no Vaticano-Foto: Vatican News

O Papa Leão XIV, em uma entrevista concedida na última quinta-feira (18) à jornalista americana Elise Ann Allen, discute a complexa situação na Faixa de Gaza e as acusações de genocídio envolvendo Israel. Na conversa, parte do livro Leão XIV: cidadão do mundo, missionário do século XXI, o pontífice afirmou que a Santa Sé não pode se manifestar a favor da afirmação de genocídio.

“Oficialmente, a Santa Sé não acredita que possamos nos pronunciar sobre isso no momento. Há uma definição muito técnica do que seria genocídio, embora cada vez mais pessoas levantem essa questão”, destacou o papa, que possui cidadania americana e peruana.

Recentemente, investigadores independentes vinculados à Organização das Nações Unidas (ONU) apontaram que Israel estaria cometendo genocídio na região com o intuito de exterminar a população palestina; uma acusação que é veementemente negada pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

O pontífice expressou preocupação com a incapacidade dos Estados Unidos em pressionar Israel a moderar suas ações e permitir um alívio efetivo para a grave crise humanitária que aflige Gaza, onde a ONU aponta uma situação de fome extrema.

“Apesar de algumas declarações muito claras do governo dos Estados Unidos, não houve uma resposta clara para encontrar formas eficazes de aliviar o sofrimento das pessoas, do povo inocente de Gaza”, disse Leão XIV.

Além disso, ao final de uma audiência geral no Vaticano, o papa reiterou sua solidariedade aos civis afetados e condenou o deslocamento forçado da população devido a ações militares israelenses.

“Transmito minha profunda solidariedade ao povo palestino de Gaza, que continua vivendo com medo e sobrevivendo em condições inaceitáveis”, declarou.

O Vaticano, sem abrir mão de sua neutralidade, reconhece a Palestina como um Estado e defende a criação de dois Estados como solução para o conflito. A instituição ainda clama por um cessar-fogo e uma saída pacífica para a crise.

Dados do Ministério da Saúde da Gaza, que a ONU considera verídicos, assinalam que mais de 65 mil palestinos foram mortos, em sua maioria civis, desde o início do conflito.

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