A análise do Projeto de Lei nº 67/2026, que propõe uma campanha constante de conscientização sobre os riscos das apostas online em Itabira, foi marcada por um depoimento impactante durante a reunião da Câmara Municipal, nesta terça-feira (21). A moradora Jéssica Ramos, de 34 anos, compartilhou sua dolorosa experiência com a ludopatia, um transtorno caracterizado pela compulsão por jogos de azar, e os efeitos devastadores que isso teve em sua vida.
No início de sua fala, Jéssica descreveu como se aprofundou no vício após ser atraída por anúncios nas redes sociais, usando o jogo como uma fuga dos problemas emocionais desde a infância. “Quando percebi, já tinha saído completamente do meu controle”, admitiu, ressaltando que foi apenas em acompanhamento psicológico que conseguiu entender a ligação entre seus traumas e a dependência.
Após engravidar em 2023, sua compulsão por apostas se intensificou, resultando em um descontrole financeiro crescente. Jéssica recorda que chegou a sacar R$ 8 mil de uma plataforma de apostas, mas perdeu tudo no mesmo dia. Com um histórico financeiro antes considerado bom, conseguiu aprovar vários empréstimos, que foram usados para alimentar seu vício.
Esse problema também impactou sua vida profissional de maneira grave. Em um momento de desespero, ela cometeu uma infração ao alterar um pagamento na empresa onde trabalhava para tentar resolver uma parte de suas dívidas, levando à sua demissão. “Eu nunca quis fraudar ninguém; acreditava que conseguiria devolver o dinheiro”, desabafou.
A situação a levou a contemplar o suicídio poucos dias após perder o emprego, mas sua única motivação foi seu filho. “O que me salvou foi ele. Meu pensamento foi: se eu morrer, quem cuidará dele?”. Hoje, após sete meses de tratamento, Jéssica afirma estar livre das apostas, mas ainda convive com os efeitos dessa luta, morando de favor na casa da mãe e tendo perdido seu casamento e amizades.
Além das consequências pessoais, Jéssica também relatou enfrentando preconceito e afastamento de pessoas. “Elas pensam que joguei porque quis, mas não imaginam o que realmente passei”, disse. Apelando pela aprovação do projeto que visa campanhas educativas sobre os riscos das apostas online, ela pediu aos influenciadores digitais que promovem essas plataformas que reflitam sobre as implicações de seu trabalho: “Muitas vezes, oferecem um caminho que pode levar à ruína.” Para Jéssica, a dependência não é uma questão de caráter, mas sim uma questão de saúde mental, ressaltando que é sobre a fragilidade da pessoa.
Com seu relato emocionado, Jéssica espera prevenir outras famílias de passarem por situações semelhantes ao que viveu. “O jogo pode destruir famílias, como destruiu a minha”, concluiu, recebendo aplausos de todos os presentes.























