A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) investiga como feminicídio o assassinato de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos, encontrada morta em Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, na quarta-feira (21). O ex-namorado da jovem, Samuel Castro Melo, de 18 anos, e a atual companheira dele, Carla Luiza da Silva, de 23, foram presos em flagrante, investigados por envolvimento no crime.
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Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (22), a PCMG apresentou detalhes das apurações e apontou desavenças entre Beatriz e Carla como uma das linhas de investigação sobre a motivação.
Durante a coletiva, o delegado Alexandre Fonseca, da Divisão de Pessoas Desaparecidas, destacou que, embora o caso tenha mobilizado a sociedade inicialmente como um desaparecimento, a investigação apontou para um feminicídio.
“Foi relatado como desaparecimento, chamou a atenção social, comoveu a sociedade em torno do desaparecimento. Só que a gente está falando de um feminicídio. É feminicídio”, afirmou.
Beatriz estava desaparecida desde 9 de outubro, quando saiu de um bar no bairro Bom Jesus, em Jaboticatubas. O corpo foi localizado em uma área de mata, em um loteamento em construção, após o depoimento de uma adolescente de 15 anos contribuir para que os investigadores chegassem ao local.
Beatriz Vitoria Foto: Reprodução/PCMGImagens e testemunhas ajudaram a reconstruir o caso
Segundo o delegado Alexandre Fonseca, imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas ajudaram a identificar um veículo que circulava perto do bar onde Beatriz foi vista pela última vez. No carro estavam o ex-namorado da jovem, Samuel, a atual companheira dele, Carla, e uma adolescente de 15 anos.
Os três foram ouvidos pela polícia. Diante de contradições nos relatos, os investigadores procuraram o pai da adolescente. Depois de conversar com ele, a jovem decidiu colaborar com as investigações e indicou o local onde o corpo havia sido deixado.
Em depoimento, a adolescente contou que Samuel e Carla a buscaram em casa e, em seguida, os três foram encontrar Beatriz. Os quatro seguiram para o Loteamento dos Portugueses, em Jaboticatubas. Segundo o relato, o casal e Beatriz desceram do veículo, enquanto ela permaneceu no carro por cerca de 30 minutos. Depois, Samuel e Carla voltaram sem a jovem.
A adolescente afirmou que desconfiou que algo grave havia acontecido com Beatriz ao perceber que o casal retornou sem ela.
Os policiais foram até o local indicado e encontraram uma área de terra remexida, onde localizaram uma cova com o corpo. Nas proximidades, também foram encontrados um chinelo, a capa do celular de Beatriz e um pote de soda cáustica. Segundo a hipótese registrada no boletim de ocorrência, o produto teria sido usado para acelerar a decomposição do corpo.
Durante a coletiva, Alexandre Fonseca explicou que a adolescente foi inicialmente tratada como testemunha e não foi apreendida.
Suspeitos apresentaram versões diferentes
Segundo o delegado Alexandre Fonseca, Carla permaneceu em silêncio durante o depoimento formal, orientada pelo advogado. Samuel, por sua vez, atribuiu à adolescente de 15 anos a dinâmica
“Ele coloca toda a dinâmica e a execução do crime na menor e isenta de participação a sua companheira, a autora feminina. Porém, o conjunto das investigações bem conduzidas pela Delegacia de Jaboticatubas indica o contrário: todos estavam na cena do crime”, afirmou o delegado.
Em entrevista à Rádio Itatiaia, o advogado de Samuel, Dracon Cavalcante, apresentou a versão do jovem sobre o que aconteceu no dia do crime. Segundo a defesa, Samuel havia combinado de sair com a adolescente de 15 anos, que teria desentendimentos anteriores com Beatriz.
De acordo com o advogado, os dois saíam de um bar quando encontraram Beatriz, que teria sido colocada no carro após um pedido da adolescente. Cavalcante afirmou que, depois, a jovem e Beatriz começaram a discutir em outro local.
“Ele falou bem claro no depoimento dele, que não entraria nessa, porque o B.O. não era dele. Virou as costas e entrou no carro”, disse o advogado à emissora.
Ainda segundo a versão apresentada pela defesa, Samuel teria perguntado onde Beatriz estava quando a adolescente voltou sozinha ao veículo. “E ela falou assim: ‘Ah, ela vai sozinha depois’. E aí, ele pensou que ela tinha batido nessa Beatriz e foi embora”, relatou Cavalcante.
Na coletiva, o delegado também detalhou as condições em que Beatriz foi encontrada. Segundo ele, a jovem estava com as mãos e os pés amarrados.
“Aprendemos os celulares, voltamos à cena do crime, acionamos a perícia e conseguimos retirar esse corpo da cova. Identificamos que estava amarrado pé e mão, o que pode indicar um contexto mais grave de outros crimes, mas isso será objeto de investigação”, declarou.
O irmão de Beatriz foi quem reconheceu o corpo. “A perita conseguiu identificar uma tatuagem extensa na perna. Mostramos a foto para o seu irmão, que se fazia presente no local, e reconheceu como sendo, sem sombra de dúvida, a senhora Beatriz Vitória Aparecida Mota Neves Mota”, relatou Fonseca.
Os exames médico-legais deverão esclarecer a causa da morte e verificar se houve outros crimes.
Quem era Beatriz Vitória
Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota tinha 27 anos e trabalhava como balconista. Desde o desaparecimento, familiares e amigos buscaram informações sobre o paradeiro da jovem e ajudaram a divulgar o caso.
Ao jornal O Tempo, o atual namorado de Beatriz, Yuri Gabriel Guedes Lopes, contou que os dois estavam juntos havia cerca de quatro semanas. Ele destacou a disposição da jovem em ajudar outras pessoas. “Ela era capaz de doar o mundo se pudesse”, afirmou.
A família também relatou a possibilidade de que Beatriz estivesse grávida. Em entrevista ao O Tempo, o irmão dela, Maxwell Sérgio Marques Mota, de 29 anos, disse que a irmã mais nova contou que Beatriz havia feito testes de gravidez, e um deles teria apresentado resultado positivo.
“Ela estaria grávida de uns três meses e há chances de ser do ex-namorado dela, que foi preso por ser suspeito de ter feito isso com ela. Estamos todos muito tristes”, disse Maxwell.
Durante a coletiva, a Polícia Civil informou que a confirmação de uma possível gravidez depende dos exames realizados pelo Instituto Médico-Legal (IML).
A Polícia Civil segue investigando as circunstâncias do feminicídio e a possível participação de cada investigado. Os exames periciais também deverão esclarecer a causa da morte e se houve outros crimes além do feminicídio e da ocultação de cadáver.
Fonte: Defatoonline























