Terça, 15 de setembro de 2026

Ação Civil Pública Adversa a Escritórios de Advocacia Pós-Desastre de Mariana

A tramitação de uma ação civil pública pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo enfrenta dois escritórios de advocacia por ações que prejudicam as vítimas do rompimento da barragem do Fundão em Mariana, destacando práticas contratuais abusivas.

Ação Civil Pública Adversa a Escritórios de Advocacia Pós-Desastre de Mariana
© Antonio Cruz/ Agência Brasil

Recentemente, o Ministério Público do Estado do Espírito Santo ajuizou uma ação civil pública com pedido de tutela de urgência contra os escritórios de advocacia Pogust Goodhead Law LTD (PGMBM) e Felipe Hotta Sociedade Individual de Advocacia. A medida busca combater práticas contratuais consideradas abusivas e danos morais às vítimas do rompimento da barragem do Fundão, ocorrido em Mariana (MG) no dia 5 de novembro de 2015.

A ação foi protocolada em parceria com o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público do Estado de Minas Gerais e as defensorias públicas do Espírito Santo, Minas Gerais e da União. Os responsáveis sublinham que os escritórios impõem cláusulas prejudiciais nos contratos, criando incerteza sobre os direitos das vítimas afetadas pelo desastre do Rio Doce.

O objetivo principal da Ação Civil Pública é garantir a transparência, além do direito das vítimas de escolherem como proceder com suas indenizações, assegurando que não sejam penalizadas durante o processo.

Cláusulas Abusivas Identificadas

Entre as cláusulas abusivas mencionadas constam:

  • Cobrança de honorários sobre indenizações obtidas no Brasil, mesmo para acordos onde o escritório não atuou;
  • Imposição de restrições à rescisão contratual pelos atingidos;
  • Exigência de pagamento ao escritório mesmo em caso de desistência da ação na Inglaterra;
  • Campanhas de desestímulo à adesão dos programas de indenização no Brasil.

Adicionalmente, o Ministério Público ressalta que a Pogust Goodhead LTD impôs cláusula de foro exclusivo na Inglaterra, o que é considerado abusivo e incompatível com a condição de vulnerabilidade dos contratantes.

Os promotores enfatizam que a maioria dos impactados é composta por brasileiros de baixa renda, com dificuldade de acesso à informação jurídica. A ação não só prevê o pagamento de danos morais coletivos como também a invalidação das cláusulas abusivas nos contratos e a proteção do direito de livre escolha das vítimas.

Sobre os Escritórios de Advocacia

A Pogust Goodhead Law LTD (PGMBM) se localiza em Londres e representa mais de 700 mil brasileiros prejudicados pelo desastre, processando a BHP Billiton por sua alegação de responsabilidade civil.

Rompimento da Barragem

O rompimento da barragem do Fundão provocou a liberação de cerca de 39 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração, que se espalharam por 663 quilômetros até o Espírito Santo. Este volume de lama é suficiente para encher aproximadamente 15,6 mil piscinas olímpicas.

A tragédia, controlada pela Samarco Mineração S.A., uma joint venture entre a Vale S.A. e a BHP Billiton, resultou em 19 mortes e devastou os distritos de Bento Rodrigues e Paracatu, afetando severamente a bacia hidrográfica do Rio Doce, que abrange 230 municípios.

Para mais informações, você pode acessar o conteúdo completo da ação civil pública no site do Ministério Público.

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