Domingo, 18 de janeiro de 2026

Camisa 24 gera polêmica e revela preconceito no futebol brasileiro

Camisa 24 gera polêmica e revela preconceito no futebol brasileiro
Jogadores do futebol brasileiro evitam entrar nos gramados com a camisa 24- Foto: Érica Ramalho/ Gov Rio de Janeiro

A declaração do técnico Abel Braga durante sua apresentação no Internacional levantou um debate importante sobre o preconceito que ainda permeia o futebol brasileiro. O número 24, associado no jogo do bicho ao veado, continua a ser estigmatizado, uma vez que apenas 30% dos clubes da Série A utilizam essa numeração em suas camisas.

Atualmente, apenas seis dos 20 clubes que disputam o Brasileirão possuem o número 24 em suas camisas, e todos são goleiros:

  • Aranha (Palmeiras)
  • Fernando Costa (Bragantino)
  • Gustavo Félix (Fluminense)
  • Leo Linck (Botafogo)
  • Anthoni (Internacional)
  • Thiagao Beltrame (Grêmio)

Entre esses, somente o goleiro do Botafogo é titular. Os outros 14 clubes, como Corinthians, São Paulo, Santos e Flamengo, decidiram não adotar essa numeração.

De acordo com o historiador Maurício Rodrigues, “o ambiente do futebol ainda é homogeneamente masculinista, onde as discussões sobre questões de gênero e sexualidade são extremamente restritas”. Essa visão reflete a escolha dos clubes, que não adotam a camisa 24 por conta do preconceito.

Em 2021, a seleção brasileira foi a única a não ter um jogador usando a camisa 24 na Copa América, demonstrando a relevância da questão. O goleiro Ederson optou por usar a 23 e Douglas Luiz usou a 25, pois a CBF alegou que a 25 era mais adequada para um volante. A ação do Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT contra a CBF pela não utilização do número não teve sucesso, mostrando a resistência institucional à mudança.

Recentemente, o Corinthians também passou por um episódio de homofobia, quando o diretor Duílio Monteiro se manifestou negativamente a respeito da camisa 24 que o jogador Victor Cantillo usou em seu antigo clube, declarando: “24? Aqui não”. Após repercussão, Cantillo passou a usar a número 24, mas a postura do diretor gerou críticas.

Na coletiva de imprensa, Abel Braga não só rejeitou a camiseta rosa do time, como também fez comentários infelizes relacionados ao preconceito. Apesar de suas desculpas posteriores, líderes de grupos LGBT já manifestaram a intenção de levar o caso ao STJD.

“É inaceitável que dirigentes e treinadores mantenham essa postura agressiva. Temos o direito de ocupar todos os espaços no futebol.”

*FONTE: UOL

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