A declaração do técnico Abel Braga durante sua apresentação no Internacional levantou um debate importante sobre o preconceito que ainda permeia o futebol brasileiro. O número 24, associado no jogo do bicho ao veado, continua a ser estigmatizado, uma vez que apenas 30% dos clubes da Série A utilizam essa numeração em suas camisas.
Atualmente, apenas seis dos 20 clubes que disputam o Brasileirão possuem o número 24 em suas camisas, e todos são goleiros:
- Aranha (Palmeiras)
- Fernando Costa (Bragantino)
- Gustavo Félix (Fluminense)
- Leo Linck (Botafogo)
- Anthoni (Internacional)
- Thiagao Beltrame (Grêmio)
Entre esses, somente o goleiro do Botafogo é titular. Os outros 14 clubes, como Corinthians, São Paulo, Santos e Flamengo, decidiram não adotar essa numeração.
De acordo com o historiador Maurício Rodrigues, “o ambiente do futebol ainda é homogeneamente masculinista, onde as discussões sobre questões de gênero e sexualidade são extremamente restritas”. Essa visão reflete a escolha dos clubes, que não adotam a camisa 24 por conta do preconceito.
Em 2021, a seleção brasileira foi a única a não ter um jogador usando a camisa 24 na Copa América, demonstrando a relevância da questão. O goleiro Ederson optou por usar a 23 e Douglas Luiz usou a 25, pois a CBF alegou que a 25 era mais adequada para um volante. A ação do Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT contra a CBF pela não utilização do número não teve sucesso, mostrando a resistência institucional à mudança.
Recentemente, o Corinthians também passou por um episódio de homofobia, quando o diretor Duílio Monteiro se manifestou negativamente a respeito da camisa 24 que o jogador Victor Cantillo usou em seu antigo clube, declarando: “24? Aqui não”. Após repercussão, Cantillo passou a usar a número 24, mas a postura do diretor gerou críticas.
Na coletiva de imprensa, Abel Braga não só rejeitou a camiseta rosa do time, como também fez comentários infelizes relacionados ao preconceito. Apesar de suas desculpas posteriores, líderes de grupos LGBT já manifestaram a intenção de levar o caso ao STJD.
“É inaceitável que dirigentes e treinadores mantenham essa postura agressiva. Temos o direito de ocupar todos os espaços no futebol.”
*FONTE: UOL




























