Professores e trabalhadores da rede municipal de educação de Belo Horizonte decidiram encerrar a greve nesta quarta-feira (10), após 45 dias de paralisação. A decisão foi tomada em assembleia da categoria, que também discutiu o calendário pós-greve e a reposição dos dias parados.
Com o fim do movimento, as aulas devem ser retomadas nesta quinta-feira (11).
A greve teve início em 27 de abril, numa reação à proposta de reajuste apresentada pela Prefeitura de Belo Horizonte, além de críticas à falta de negociação com a Secretaria Municipal de Educação. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de BH (Sind-REDE/BH), o retorno às salas de aula foi aprovado com a expectativa de reiniciar o diálogo com a comunidade escolar. Contudo, o Sind-REDE/BH assegura que a mobilização continuará em outras áreas.
Entre os tópicos que ainda necessitam de discussão estão a reposição das aulas, o pagamento dos dias parados e a busca por evitar punições aos servidores que aderiram ao movimento. A entidade aguarda uma reunião com a prefeitura para abordar esses assuntos.
Durante a paralisação, foram denunciadas questões como o crescente avanço da terceirização e da privatização de funções relacionadas à educação municipal. Uma das críticas mais evidentes foi em relação às parcerias com Organizações da Sociedade Civil (OSC) para a contratação de profissionais de apoio ao educando. O sindicato afirma que a pressão da categoria levou a mudanças na portaria que regulamenta essas parcerias, garantindo que o trabalho pedagógico seja realizado por professores concursados.
Além disso, o sindicato mencionou a necessidade de um Processo Seletivo Simplificado para novas contratações pelas OSCs, visto como uma forma de reduzir o risco de indicações políticas.
Na última quarta-feira, a categoria participou de uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais para discutir condições de trabalho, carreira e valorização dos profissionais da educação municipal. Durante a reunião, o sindicato criticou o corte de ponto em relação aos grevistas e solicitou a aplicação do reajuste de 5,4% do Piso Nacional do Magistério.
Outras pautas abordadas durante a greve incluíram problemas estruturais nas escolas, falta de recursos, escassez de materiais didáticos, déficit de profissionais e críticas à terceirização de serviços relacionados ao Atendimento Educacional Especializado.
Apesar do encerramento da greve, o sindicato informou que pretende continuar com suas ações nos próximos dias, incluindo visitas à Câmara Municipal, mobilizações nas comunidades escolares e plenárias com os representantes da categoria para esclarecer o calendário de reposição e os desdobramentos da paralisação.























