Domingo, 15 de março de 2026

Presidente do Banco Central critica uso do IOF para arrecadação e juros

Presidente do Banco Central critica uso do IOF para arrecadação e juros
© Jose Cruz/Agência Brasil

Em uma declaração clara, Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, informou que o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) não deve ser empregado para arrecadar mais recursos ou como substituto para o aumento dos juros. Durante um evento realizado em São Paulo, Galípolo expressou a preocupação de que a recente elevação do imposto seja vista por investidores internacionais como uma forma de controle de capital.

“Eu sempre tive essa visão de que não deveria utilizar o IOF nem para questões arrecadatórias, nem para fazer algum tipo de apoio para a política monetária. É um imposto regulatório, como está bem definido”, afirmou o presidente do BC, durante debate promovido pelo Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP).

Ainda comentou sobre o aumento do imposto sobre crédito para empresas, reforçando que o ideal é que o tributo não interfira nas decisões empresariais sobre onde pegar dinheiro emprestado. “Não é desejável que você tenha uma escolha de uma linha ou de um produto específico em função de uma arbitragem tributária”, acrescentou.

Além disso, Galípolo também mencionou que, com as mudanças, o governo estima arrecadar R$ 19,1 bilhões até o final do ano, apesar de algumas alíquotas terem sido revogadas logo após o anúncio do aumento. Segundo especialistas, o aumento do IOF pode impactar a Taxa Selic em aproximadamente 0,5 ponto percentual, tornando o crédito mais caro para as empresas.

Sobre os possíveis impactos na economia, o presidente do BC destacou que a autoridade monetária será cuidadosa ao considerar a incorporação deste aumento às suas projeções. Ele indicou que, assim que uma proposta definitiva for apresentada pelo governo e pelo Congresso, a impactação nas projeções de inflação e PIB será reavaliada.

“A gente tende a consumir com mais parcimônia, aguardar o desenho final para entender de que maneira e quanto deve ser incorporado nas nossas projeções”, concluiu.

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