Minas Gerais continua a ser o protagonista na produção de cachaça no Brasil. O Anuário da Cachaça 2026, elaborado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), revela que o estado abriga 564 produtores registrados, respondendo por 36,7% dos oficiais em todo o país. Ademais, Minas se destaca com 2.922 marcas de cachaça, o que representa cerca de 35% do total nacional.
O potencial econômico do setor é evidente nos números. Somente em 2025, aproximadamente 54% do faturamento de R$ 624 milhões foi gerado por vendas fora do estado, abarcando tanto o mercado interestadual quanto exportações. Em contrapartida, 46% correspondem aos negócios locais. No mesmo ano, a cadeia produtiva contribuiu com cerca de R$ 56,5 milhões em ICMS.
Além de sua relevância econômica, a cachaça é um importante elemento do patrimônio cultural mineiro. O modo tradicional de produção da bebida foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Estado pela Lei Estadual nº 16.688, de 2007, evidenciando a ligação entre a bebida, os saberes tradicionais e as comunidades onde é fabricada.
Regiões como Salinas, Córrego Fundo, Coronel Xavier Chaves, Januária, Paracatu, Raul Soares e Itaverava compõem a geografia da cachaça em Minas, cada uma com suas particularidades de produção e heranças culturais.
“A cachaça mineira reúne atributos que o mercado atual valoriza: origem, autenticidade, história e identidade cultural. O nosso desafio é transformar esse reconhecimento em competitividade e presença em novos mercados”, destacou Mário Marques, presidente do Sindicato das Indústrias de Bebidas do Estado de Minas Gerais (SindBebidas-MG).
No cenário das exportações, o Brasil enviou quase 8 milhões de litros de cachaça para 76 mercados, alcançando uma receita de cerca de US$ 17 milhões em 2025, com Minas Gerais contribuindo com aproximadamente US$ 1,5 milhão, representando 8,8% do total nacional.
Cristiano Lamego, executivo sindical do SindBebidas-MG, enfatizou que o estado possui uma grande oportunidade para expandir sua presença internacional, ressaltando a importância da padronização, certificação e promoção comercial.
Tecnologia e Tradição
Os produtores têm buscado integrar o conhecimento tradicional às inovações tecnológicas para aprimorar a competitividade. O Centro de Inovação e Tecnologia (CIT SENAI) tem disponibilizado soluções voltadas para o controle de qualidade e o desenvolvimento de produtos. Laboratórios acreditados pelo INMETRO realizam análises rigorosas que garantem a conformidade legal dos produtos, ajudando a mitigar desvios na produção.
Segundo Zenilde Viola, gerente de Conformidade e Qualidade do CIT SENAI, a ciência serve como uma linguagem para validar e aprimorar o saber artesanal sem eliminá-lo. O objetivo é assegurar a qualidade e segurança da cachaça destinada ao consumo.
Além das análises laboratoriais, o SENAI ainda oferece consultorias e projetos de pesquisa e desenvolvimento para ajudar na inovação dentro do setor.























