Quinta, 30 de julho de 2026

Locutores de Rua em Belo Horizonte: Criatividade e Humor nas Vendas

Os locutores de rua em Belo Horizonte trazem charme e humor ao comércio local, utilizando a criatividade para atrair clientes.

Locutores de Rua em Belo Horizonte: Criatividade e Humor nas Vendas
Rogério e Bruno usam suas vozes para ganhar a vida em BH

Em meio ao barulho da cidade grande, algumas vozes se destacam. Os locutores de rua fazem parte do cotidiano de Belo Horizonte, especialmente no Hipercentro da capital mineira, onde usam e abusam da criatividade para atrair clientes e aumentar as vendas do comércio.

Uma dessas vozes talentosas é a de Rogério Alves. Ele iniciou sua trajetória em 1992 como DJ em uma rádio musical no interior de Minas Gerais. Depois de muitos anos operando pickups e discos de vinil, veio para BH. Em um momento de grande dificuldade pessoal, conseguiu seu emprego atual de locutor no Shopping Xavantes, no centro da capital mineira.

“A história é longa e emocionante. Eu vim trazer minha mulher para fazer um tratamento e passei na porta do shopping perguntando se havia trabalho. Por incrível que pareça, a gestora disse que precisava de um locutor. E já estou aqui há quase 20 anos.”

Ao ser questionado sobre suas estratégias para atrair clientes, Rogério responde: “Ofereço muitas opções, preços baixos e variedade… e ser um bom vendedor, né? O locutor também é um vendedor. Você está vendendo o produto para o cliente”.

Outro locutor que começou no rádio é Bruno Corrêa dos Santos, que atua na rede de drogarias Extra Popular. Sua trajetória também é curiosa.

“Começou há mais de 20 anos em uma rádio. Fui convidado para vigiar o estúdio e, quando o rapaz ia tomar água, eu entrava e falava um pouco. Isso me despertou a paixão pela profissão.”

Bruno passou por diversos segmentos do comércio em Belo Horizonte, como sacolão, açougue, farmácia, entre outros.

“O locutor é, acima de tudo, um vendedor. Nós precisamos acreditar no que vendemos para desempenhar melhor nossa profissão.”

Bruno já está há seis anos na rede de farmácias. Ele explica como convence clientes que não têm necessidade de comprar nada em uma farmácia.

“Aqui vem a diversão, a criatividade do locutor. Nem todos que passam na porta estão doentes. Precisamos encontrar formas de atraí-los, muitas vezes, através de brincadeiras. Falo sobre medicamentos para vigor sexual e outros produtos que podem chamar sua atenção.”

Assim, com criatividade e bom humor, Bruno se destaca na Praça Sete, onde há vendedores, fiéis e o ruído do trânsito. “Quando meu patrão me remove daqui, até os vizinhos sentem minha falta”, brinca o locutor.

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