No último sexta-feira da Paixão (18), em Planaltina, a 50 quilômetros de Brasília, comerciantes como Matheus de Souza se reuniram para atender ao público durante a tradicional Via Sacra. “Olha o salgadinho… cinco reais”, publicamente anunciava Matheus, que apesar de suas dificuldades, mantinha viva a esperança de dias melhores.
Matheus, pai solo de duas crianças, sonha em conseguir um emprego fixo e voltar a estudar. Ele revelou:
“Estudei só até a quinta série. Nem sei ler direito”.
Trabalhando como auxiliar de limpeza durante o dia, ele se dedicava a vender salgadinhos à noite em sinais de trânsito, sempre buscando um pouco mais para oferecer às suas filhas.
Outro comerciante, José Silva, de 40 anos, não perdeu a oportunidade de vender batata frita durante o evento. Natural do Ceará, ele expressou seu desejo por uma oportunidade de educação, afirmando:
“Seria um milagre voltar a estudar, mas só se Deus quisesse mesmo”.
José, que se considera analfabeto, se desloca diariamente de Águas Lindas de Goiás, sonhando com melhores condições para suas cinco crianças.
A 52ª edição da Via Sacra, dirigida por Preto Rezende, reuniu um público estimado de 100 mil pessoas e contou com a participação de cerca de 1,4 mil voluntários, entre técnicos e atores, todos engajados na encenação que retratou a paixão de Cristo.
Entre os empreendedores, Carlos Fabrício Silva, artesão e devoto de Padre Cícero, esperava no pórtico da Via Sacra, oferecendo produtos feitos com palha de coco. Com 39 anos, ele sonha em concluir o ensino fundamental e criar um lar, aguardando sempre por um milagre em sua vida.
























