Sexta, 06 de novembro de 2026

Nova ferramenta mapeia impactos do clima no Brasil e na América Latina

Plataforma AdaptaBrasil agora projeta alterações na temperatura e no regime de chuvas sob diferentes níveis de aquecimento global.
Painel permite analisar mudanças climáticas no Brasil e América Latina

O governo federal, em parceria com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), apresentou nesta terça-feira (3) uma nova interface digital capaz de simular os efeitos das mudanças climáticas no Brasil e em toda a América Latina. A tecnologia, que se integra à plataforma AdaptaBrasil, oferece uma visão detalhada sobre como o aumento das temperaturas e as variações no regime de chuvas podem impactar as próximas décadas.

Aprimoramento do AdaptaBrasil

O sistema já consolidava indicadores de risco para todos os 5.570 municípios do país, cruzando dados de ameaças naturais, exposição populacional e vulnerabilidade. Com a atualização, a ferramenta passa a exibir mapas dinâmicos que projetam cenários futuros, permitindo que gestores públicos e pesquisadores visualizem as consequências de diferentes níveis de aquecimento global de forma prática.

Durante o evento de lançamento, o secretário de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente, Aloisio Melo, reforçou que a iniciativa busca integrar a pauta ambiental de forma estratégica em diversas esferas governamentais.

“Esse processo de atualizar o Plano Clima e de fazer um plano de adaptação muito mais robusto e transversal, por meio de 16 planos setoriais e temáticos, foi um esforço para traduzir e dar concretude a essa agenda tão fundamental para o desenvolvimento do país”.

O secretário ainda pontuou que o desafio é enfrentar fragilidades sociais que já existiam, mas que ganham contornos mais críticos com o avanço dos eventos climáticos. “Melo explicou que a medida envolve a forma como enfrentamos nossas vulnerabilidades socioeconômicas, que são históricas, mas foram agravadas nesse contexto em que a mudança do clima se materializa, se faz presente e desafia as várias agendas e políticas de desenvolvimento setoriais.”

Visão estratégica para o futuro

A ferramenta é vista como um passo essencial para a formulação de políticas públicas baseadas em evidências. Segundo o coordenador-geral de Ciência do Clima do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Márcio Rojas da Cruz, a antecipação de cenários é o primeiro passo para qualquer estratégia de proteção.

“São as primeiras informações necessárias para se começar a pensar em adaptação. Não se pensa em adaptação sem, antes de mais nada, começar a vislumbrar como será o nosso futuro do ponto de vista climático”, apontou.

Detalhes técnicos e indicadores

O painel permite a análise comparativa de quatro níveis de aquecimento: 1,5°C, 2°C, 3°C e 4°C. Christian Miziara, gerente de soluções da RNP, destacou a facilidade de acesso aos dados. “Em uma única interface, é possível visualizar indicadores de temperatura e precipitação, considerando os cenários de aquecimento. Isso ajuda a compreender como as ameaças climáticas podem se comportar à medida que a temperatura global aumenta”, disse.

Já Jean Ometto, pesquisador sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), ressaltou a importância da transparência científica no planejamento. “As projeções climáticas são um aspecto central, dentro do cálculo de risco, para que possamos planejar. Isso tudo, obviamente, embute uma incerteza, mas a ciência vai buscando justamente trazer a informação mais clara, mais robusta e mais transparente possível para que se possa trabalhar com planejamento”.

O sistema, que está em sua primeira versão, deve ser expandido. O pesquisador do INPE Gilvan Sampaio, responsável pela apresentação da ferramenta, adiantou que o objetivo é incluir novas variáveis, como radiação, ventos e umidade relativa. “Nós vamos incluir outras variáveis, como umidade relativa, vento, radiação e que são importantes também para os grupos de pesquisa, pesquisadores e para os diversos usuários, inclusive a população, para ter uma informação confiável sobre a mudança do clima”, avaliou.

Com informações Agência Brasil

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