Sexta, 23 de outubro de 2026

Audiência debate futuro da escola Coronel Juca Pinto em BH

Comunidade escolar questiona encerramento das atividades para a instalação de uma unidade do Colégio Tiradentes na instituição.
Impactos da implantação de Colégio Tiradentes em escola serão debatidos

A Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizará uma audiência pública na próxima segunda-feira (26/10/26), às 18 horas, na Escola Estadual Coronel Juca Pinto, situada na Avenida Bueno Siqueira, 180, em Belo Horizonte. O encontro visa discutir os impactos da transformação da unidade em um Colégio Tiradentes da Polícia Militar, medida que tem enfrentado forte resistência da comunidade local.

Convocados para o debate

A iniciativa foi solicitada pela deputada Beatriz Cerqueira (PT), que preside a comissão. Para prestar esclarecimentos, foram convidados o secretário de Estado de Educação, Daniel Guimarães Medrado de Castro; a comandante-geral da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), Cleide Barcelos dos Reis Rodrigues; e o promotor de justiça Felipe Faria de Oliveira, da Promotoria de Defesa da Educação.

Sobre a possível desativação da unidade, a deputada Beatriz Cerqueira expressou sua contrariedade: “Se a comunidade está satisfeita com o trabalho realizado pela escola atualmente, por que mexer no que está dando certo?”. A parlamentar reforçou ainda a necessidade de transparência e questionou o planejamento do Executivo: “Precisamos entender qual é o diagnóstico. Onde os Colégios Tiradentes serão implantados, qual a demanda por alunos em cada região?”.

Riscos ao ensino técnico e EJA

A E.E. Coronel Juca Pinto, que possui 59 anos de história, atende 269 alunos com ensino fundamental, médio, tempo integral, educação profissionalizante e Educação de Jovens e Adultos (EJA). A preocupação central reside no fato de que o modelo do Colégio Tiradentes não contempla essas modalidades. Além disso, a escola passa atualmente por reformas avaliadas em R$ 1,4 milhão.

A Secretaria de Estado de Educação (SEE) confirmou que as atividades da escola serão encerradas em 31 de dezembro, com a transição para o modelo militar prevista para 2027. Diante disso, a deputada Beatriz Cerqueira recordou um compromisso assumido anteriormente: “A parlamentar completou que, quando a legislação foi aprovada na ALMG, o governo garantiu que a construção de 30 Colégios Tiradentes não interferiria nas escolas estaduais regulares.”

Impactos na comunidade

O clima na unidade é de incerteza. Pais relatam dificuldades logísticas e financeiras para transferir os filhos, enquanto os docentes criticam a falta de clareza sobre o processo. Dayse dos Santos, ex-aluna e moradora do Bairro Universitário, classificou a mudança como “absurda”, destacando a qualidade pedagógica da instituição.

Atualmente, o sistema de Colégios Tiradentes conta com 60 unidades em Minas Gerais, priorizando o atendimento a dependentes de militares, com parte das vagas aberta ao público civil via sorteio. A manutenção do ensino público regular frente à expansão da rede militar permanece como o ponto central do impasse que será debatido pela comissão parlamentar.

Fonte: ALMG

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