Terça, 20 de outubro de 2026

Escola denuncia esvaziamento e volta a cobrar ensino regular diurno

Escola denuncia esvaziamento e volta a cobrar ensino regular diurno

Escola denuncia esvaziamento e volta a cobrar ensino regular diurno

Em visita de comissão, relatos são de que governo estadual toma decisões sem levar em conta as demandas da comunidade



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Desde 2019, a Escola Estadual Geraldo Jardim Linhares vem perdendo alunos do ensino médio. E não seria por falta de demanda, mas por decisões tomadas pela Secretaria de Estado de Educação (SEE) sem levar em conta a realidade da comunidade escolar. Assim teria ocorrido com o fechamento do ensino médio regular diurno, provocando evasão escolar. 

O cenário foi exposto à Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que esteve em visita à escola na noite de segunda-feira (19/10/26), a pedido de sua presidenta, deputada Beatriz Cerqueira (PT).

Durante o dia, há apenas o ensino médio integral na escola, que completou 60 anos e está localizada no bairro Madre Gertrudes, em Belo Horizonte.

“Muitos de nossos alunos são arrimo de família e trabalham, por isso, ter o ensino médio só integral e de dia não atende a comunidade”, relatou Mauro Sérgio da Silva, diretor da escola.

A demanda pelo ensino regular diurno já foi defendida em audiência realizada na ALMG pela comissão, que desta vez visitou a escola para ouvir a comunidade na própria unidade.

O diretor reforçou que muitos estudantes são menores aprendizes em programas como da Asprom, Cruz Vermelha e sistema Salesiano e também por esse motivo a modalidade integral não atende.

Da mesma forma, a turma regular, que hoje funciona somente à noite, tem afastado alunos ao longo do tempo por questões também de segurança, sobretudo as meninas.

“O entorno da escola é mais violento o que desestimula aulas à noite. “É uma bola de neve”, resumiu o diretor, explicando que quanto mais alunos saem, mais vazio fica o entorno e maior a insegurança.

Prejuízos à periferia

“O fim das turmas regulares sem ouvir a comunidade é parte de uma estratégia de esvaziamento das escolas periféricas”, desabafou a professora de língua Inglesa Tânia Bertolino. Numa fala emocionada, ela disse: “ninguém vai destruir essa escola”.

Professora de Geografia da escola, Raquel Braga tem levantado dados sobre a evasão por conta de um projeto de pesquisa do mestrado, relacionado à educação inclusiva. Segundo expôs Raquel, o ano de 2019 começou com 832 alunos matriculados e terminou apenas com 519 presenças. Em 2023, praticamente a metade deixou a escola: foram 841 matriculados e havia 417 alunos ao final do ano letivo.

Hoje, segundo o diretor, há 45 alunos no ensino integral diurno e outros 102, divididos entre o ensino regular noturno e educação de jovens e adultos (EJA). 

Junto aos dados de seu levantamento, a professora Raquel observou que a realidade local é que jovens com 16 anos vão para o mercado de trabalho, e que o ensino diurno integral sendo a única opção se torna um complicador nesse cenário. Além disso, o integral implantado foi na modalidade profissionalizante, contemplando as opções de técnico em mecânica e energia renovável.

Essas duas opções, segundo ela, foram abertas sem uma consulta às demandas e interesses da comunidade, também contribuindo para afastar o alunor. “Vários pensaram que seria técnico em mecânica automotiva, e foram embora quando viram que era industrial”, observou ela.

“São imposições que não necessariamente são do interesse da comunidade. Vou ter que achar que isso faz parte de um projeto sistemático de boicote à escola”, avaliou a professora de História Gilmara Silva. 

Insegurança e evasão escolar

O morador do bairro, Ricardo Nunes, propôs que a escola e a SEE façam uma busca ativa na comunidade, para verificar o interesse real de moradores e pessoas da região por cursos e temáticas que poderiam ser abraçadas pela escola. 

A estudante Yasmim Victória Ferreira de Silva, aluna do 2º ano do ensino médio, contou ter mudado seu turno para a noite, mesmo com medo, já que a opção do integral a impediria de trabalhar como jovem aprendiz numa farmácia.

A estudante disse que chegou a ser matriculada de dia pelo pai, sem ele saber que seria integral. Foi um susto na família, contou, até que ela fez a troca para a noite no meio deste ano, mesmo com medo. “Os professores falam que antes a escola era muito cheia, mas agora o caminho fica muito vazio”, lamenta ela.

A presidenta da comissão avaliou que a evasão escolar é um problema grave na escola. Segundo Beatriz Cerqueira, o integral pode ser bem-vindo, a depender da necessidade e da escuta da comunidade. Esse tipo de decisão, reforçou, deve depender de cada realidade, o que não tem ocorrido segundo ela.

“Vemos aqui uma exclusão social, econômica e de gênero e ela será levada à Defensoria Pública e ao Ministério Público. Temos um comportamento que beira um crime, porque a Secretaria de Educação ano após ano não se importou com isso (evasão)”, frisou a deputada.

Fonte: ALMG

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