Domingo, 13 de setembro de 2026

Justiça Federal condena Samarco e engenheiros pelo desastre da barragem de Fundão

Mais de dez anos após a tragédia da barragem de Fundão, a Justiça condena Samarco e seus funcionários.

Justiça Federal condena Samarco e engenheiros pelo desastre da barragem de Fundão
Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

Mais de dez anos após o rompimento da barragem de Fundão em Mariana, a Justiça Federal condenou a Samarco e três engenheiros pelos crimes relacionados à tragédia ocorrida em novembro de 2015. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (3) pelo Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), em Belo Horizonte, durante o julgamento de recursos contra a sentença que havia absolvido os réus em primeira instância.

O crime ambiental de 5 de novembro de 2015 resultou na morte de 19 pessoas e na liberação de milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração, impactando comunidades, cursos d’água e municípios ao longo da bacia do Rio Doce.

O julgamento no TRF-6 representou uma reviravolta em relação à decisão anterior de 2024, quando a Justiça Federal havia absolvido os acusados. Os recursos foram interpostos pelo Ministério Público Federal (MPF) e por familiares das vítimas.

Os três condenados, funcionários da Samarco, ocupavam funções ligadas à operação da empresa. Davieli Silva e Germano Lopes receberam penas de 8 anos e 9 meses de prisão, em regime fechado, além do pagamento de 192 dias-multa. Wagner Alves foi condenado a 7 anos, 3 meses e 15 dias de prisão, com início do cumprimento em regime semiaberto, devendo pagar 160 dias-multa.

O trio foi responsabilizado pelos crimes de inundação com resultado em morte e poluição qualificada com resultado em morte. A decisão, porém, ainda está sujeita a recursos.

Além das condenações individuais, o TRF-6 responsabilizou a Samarco criminalmente por poluição qualificada com resultado em morte. A empresa ficará proibida de contratar com o poder público por dez anos e foi condenada ao pagamento de R$ 1 milhão ao Fundo Nacional do Meio Ambiente.

A Samarco informou que analisará a decisão antes de definir as medidas jurídicas a serem tomadas, afirmando ter atuado conforme a legislação e sem conhecimento do risco de rompimento da barragem. A empresa expressou pesar pelas consequências do desastre e reafirmou seu compromisso com as obrigações de reparação no novo Acordo do Rio Doce.

Vale e BHP, accionistas da empresa, foram absolvidas dos crimes analisados neste processo. Também foram absolvidos profissional da consultoria VogBR, Samuel Loures, e os dirigentes da Samarco, Ricardo Vescovi e Kleber Luiz, portanto, a decisão não representa uma condenação para as acionistas.

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