Terça, 14 de julho de 2026

ECA completa 36 anos: Avanços e Desafios na Proteção de Crianças e Adolescentes

Os 36 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente marcam um momento de reflexão sobre as conquistas e os desafios enfrentados na proteção dos direitos de crianças e adolescentes no Brasil.

ECA completa 36 anos: Avanços e Desafios na Proteção de Crianças e Adolescentes
© Colégio Cruzeiro.

No dia 13 de julho, o Brasil celebrou os 36 anos da Lei 8.069, que estabeleceu o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Esta data marca o início da semana dedicada à legislação, promovendo discussões sobre políticas públicas para crianças e adolescentes.

O ECA, uma das primeiras leis aprovadas após a Constituição de 1988, consagrou o princípio da prioridade absoluta na proteção de crianças e adolescentes, sendo que, em casos específicos, algumas medidas se estendem até os 21 anos.

“Graças ao ECA, conseguimos ver crianças e adolescentes como sujeitos de direitos,” afirma Andressa Ferreira Cândido, assistente social na Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania do Paraná.

A assistente social destaca diversas conquistas desde a implementação do ECA, como a redução da mortalidade infantil e a universalização do acesso ao ensino fundamental.

Conquistas e Lacunas

Embora o panorama tenha avançado, existem lacunas que ainda requerem atenção. Maurício Cunha, presidente do ChildFund Brasil, uma ONG dedicada ao apoio de crianças em situação de vulnerabilidade, destaca: “Houve grandes avanços, mas os desafios também cresceram.”

Um dos principais problemas é a falta de monitoramento no orçamento voltado para crianças e adolescentes, que se espalha por diversas áreas como saúde e educação, dificultando a mensuração real do investimento.

Retrocessos e Riscos Digitais

Além dos avanços ainda a ser conquistados, Cunha alerta para os retrocessos, especialmente em relação à violência e aos riscos digitais. “A internet trouxe novos desafios, como a exposição a redes de pedofilia e outras violências,” ressalta.

O ECA digital, por sua vez, se apresenta como uma tentativa de abordar esses riscos, responsabilizando empresas de tecnologia e potencializando melhorias com propostas de verificação de idade em plataformas.

Maioridade Penal

Os desafios são ainda mais profundos quando se trata da maioridade penal. Cunha e Cândido concordam que o envolvimento de adolescentes em atividades infracionais é um sinal da falência do sistema social. “Precisamos de políticas que fortaleçam as capacidades protetivas das famílias e que previnam a internação no sistema socioeducativo,” conclui Cândido.

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