Localizada a aproximadamente 3 quilômetros do Porto de Dacar, no Senegal, a Ilha de Gorée é um dos destinos turísticos mais visitados do país. Com apenas 17 hectares, equivalente a menos de 25 campos de futebol, a ilha foi declarada Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO em 1978, devido ao seu importante papel na história da escravidão.
Fama Sylla, uma vendedora local, aborda visitantes na fila que esperam para pegar a balsa até a Ilha. “Que tal visitar o meu box de vendas? Tenho bijuterias e muitos itens típicos”, convida.
A história de Gorée é marcada pela brutalidade do tráfico transatlântico de escravizados que começou no século 15. Colonizadores europeus, como portugueses, holandeses e franceses, utilizavam a ilha como um entreposto para embarcar africanos rumo às Américas.
Um local de resistência
A Casa dos Escravos, uma construção de dois andares na ilha, detém a “Porta do Não Retorno”, que simboliza a prisão de africanos antes de serem vendidos como escravizados. Atualmente, a ilha abriga cerca de 1,7 mil moradores, e muitos dependem diretamente do turismo para sua subsistência.
No contexto econômico atual, os moradores, como Fama e Chaua Sall, vendem artesanato típico e escultura em madeira, preservando tradições familiares que passam de geração para geração.
Hospitalidade e educação
Aminata Fall, outra vendedora, destaca a importância do trato gentil e acolhedor com os turistas. “Aqui somos muito gentis e acolhedores com pessoas do mundo todo que vêm visitar a Casa dos Escravos”, afirma. Essa hospitalidade é refletida na palavra teranga, que significa hospitalidade em wolof, reforçando a cultura local.
A arte também desempenha um papel crucial na economia local, com artistas como Cheikh Sow, que, através de suas obras, busca não apenas sustentar a si mesmo, mas também transmitir a história da ilha aos visitantes.
A visita à Ilha de Gorée oferece, portanto, não apenas um mergulho na história da escravidão, mas também uma oportunidade de reflexão sobre os valores humanos e a dignidade.
Os turistas são convidados a compor sua própria narrativa, refletindo sobre as lições do passado enquanto desfrutam da beleza e hospitalidade da ilha.
























