A missão Artemis II chegou ao fim na noite de sexta-feira (10) com o pouso da cápsula Orion no Oceano Pacífico, marcando o retorno de voos tripulados ao entorno da Lua após mais de 50 anos. O splashdown ocorreu às 21h07 (horário de Brasília), próximo à costa de San Diego, nos Estados Unidos.
A etapa final da missão foi uma das mais críticas. Em poucos minutos, a cápsula desacelerou de mais de 40 mil km/h para cerca de 32 km/h. A redução extrema ocorreu durante a reentrada na atmosfera terrestre, quando o atrito com o ar gerou temperaturas superiores a 2.700 °C no escudo térmico da nave.
Durante esse processo, houve o chamado “apagão de comunicação”, um período em que a nave fica temporariamente sem contato com a Terra devido à ionização ao redor da cápsula. Entretanto, todas as etapas ocorreram conforme o planejado.
Após a fase mais intensa da reentrada, os paraquedas foram acionados em sequência. Primeiro, os de estabilização ajudaram a controlar a trajetória. Em seguida, os três paraquedas principais garantiram uma descida controlada até o impacto no mar.
RESGATE DA TRIPULAÇÃO
Logo após o pouso, equipes da NASA e das forças armadas dos Estados Unidos iniciaram a operação de resgate. Os quatro astronautas deixaram a cápsula por volta das 22h e foram levados de helicóptero até o navio militar USS John P. Murtha.
De acordo com o diretor de voo, Rick Henfling, a tripulação apresentou bom estado de saúde. “Todo mundo estava feliz e com boa saúde”, afirmou. A expectativa é que os astronautas sigam para o Centro Espacial Johnson, no Texas, ainda neste sábado.
MISSÃO HISTÓRICA
Ao longo de cerca de dez dias, os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen percorreram mais de 1,1 milhão de quilômetros — a maior distância já viajada por humanos no espaço. A missão teve como objetivo testar sistemas essenciais para futuras viagens em espaço profundo, incluindo a própria cápsula Orion e o foguete Space Launch System (SLS). Diferentemente das missões do Programa Apollo, não houve pouso na Lua.
REENTRADA SOB CONDIÇÕES EXTREMAS
Diante da descida, os astronautas enfrentaram forças equivalentes a quase quatro vezes a gravidade da Terra. Esse impacto é controlado por um ângulo preciso de entrada na atmosfera, evitando uma desaceleração ainda mais brusca.
A sequência do retorno seguiu o cronograma previsto:
- Separação do módulo de serviço e exposição do escudo térmico;
- Ajuste do ângulo de entrada;
- Início da reentrada com blackout de comunicação;
- Abertura dos paraquedas de frenagem e, depois, dos principais;
- Splashdown no Pacífico.
O QUE VEM AGORA
O sucesso da Artemis II é considerado um passo decisivo para a próxima fase do programa. A futura missão Artemis III deve levar astronautas de volta à superfície lunar — incluindo a primeira mulher e a primeira pessoa negra a pisar na Lua. Mais do que um retorno simbólico, o programa Artemis busca estabelecer uma presença humana mais duradoura no satélite natural da Terra, visto como um ponto estratégico para missões futuras, incluindo viagens a Marte.

























