Terça, 28 de abril de 2026

Moradores de Perus denunciam manipulação em audiência sobre incinerador

Moradores de Perus denunciam manipulação em audiência sobre incinerador
© Rovena Rosa/Agência Brasil

Os moradores do bairro Perus, em São Paulo, levantaram sérias suspeitas sobre a audiência pública realizada pela prefeitura e pelo governo estadual, destinada a discutir o impacto da implementação de um incinerador de lixo. Os cidadãos alegam que houve a exclusão de sua participação e a entrada de pessoas não residentes, o que comprometeu o caráter consultivo do evento.

Segundo relatos, a audiência ocorreu no Centro Educacional Unificado (CEU) Perus, onde ônibus trouxeram pessoas não conhecidas pela comunidade local, que se organizaram para monopolizar o microfone e dificultar a manifestação dos moradores presentes. Identidades de possíveis recrutados foram preservadas por questões de segurança.

A Unidade de Recuperação de Energia (URE) Bandeirantes, proposta pela empresa Logística Ambiental São Paulo S.A. (Loga), já enfrenta resistência desde sua concepção. O engenheiro químico Mario Bortoto, um dos líderes do movimento de resistência, destacou que a consulta deveria ser um espaço democrático, mas a manipulação das informações fez com que a audiência se tornasse uma mera formalidade.

Bortoto também ressaltou que o novo incinerador, similar ao de décadas passadas, deveria ser considerado obsoleto e que sua construção poderia trazer sérios problemas de saúde à população local. A falta de recursos humanos no setor de saúde em Perus é um fator crítico que agrava a situação.

A ativista Thais Santos, química e consultora da WWF Brasil, expressou a necessidade de uma luta contínua pelos direitos da comunidade e sublinhou a importância de criar um espaço que priorize a cultura e a sustentabilidade, em vez da instalação do incinerador. A região tem um histórico negativo associado à Vala Clandestina do Cemitério Dom Bosco, que a população não esquece.

As autoridades responsáveis se defenderam, afirmando que todas as colocações feitas na audiência são consideradas no processo de licenciamento da URE. A Loga também negou as acusações de manipulação e garantiu que a audiência foi conduzida de acordo com as normas.

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