A ex-assessora do deputado Arthur Lira (PP-AL), Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, foi o foco de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal na Câmara dos Deputados nesta sexta-feira (12). Tuca atuou ao lado de Lira quando ele presidiu a Casa.
As diligências foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação indica que Tuca enviava ordens a comissões para a liberação de emendas parlamentares do chamado “orçamento secreto”, onde as verbas públicas são direcionadas sem identificação do responsável pela indicação.
O inquérito se originou de depoimentos de seis deputados e uma servidora, que relataram que Tuca encaminhava ofícios da Presidência da Câmara com instruções para a liberação de emendas, principalmente para Alagoas, estado de Lira.
A ex-assessora, atualmente ocupando um cargo no gabinete do PP na Câmara, já teve o sigilo telemático quebrado, e a PF considerou necessário realizar as buscas devido à falta de mensagens salvas e a indícios de práticas criminosas.
Flávio Dino justificou as buscas apresentando a possibilidade de que a representada tomasse medidas para impedir o backup de dados sensíveis, mantendo registros em meio físico. Dino também destacou a natureza contínua e estruturada das atividades relacionadas ao orçamento secreto.
Adicionalmente, o ministro ressaltou que as buscas se justificam pelo potencial probatório, uma vez que as ações suspeitas estavam inseridas na rotina funcional da investigada.
Dino é relator de uma ação onde o STF declarou a ilegalidade das práticas do orçamento secreto, forçando a Câmara a adotar critérios de transparência na destinação de recursos.
Atualmente, diversas investigações sobre desvios de emendas do orçamento secreto estão em andamento no STF.
Seis parlamentares, incluindo Glauber Braga (Psol-RJ) e José Rocha (União-BA), relataram à PF o envolvimento de Tuca na organização e execução do orçamento secreto, apontando para redirecionamentos forçados de recursos por Lira. Os investigadores também mencionaram anotações informais que evidenciam a falta de formalidade na gestão do orçamento, e descreveram a situação como uma “conta de padaria”.























