O Papa Leão XIV, em uma entrevista concedida na última quinta-feira (18) à jornalista americana Elise Ann Allen, discute a complexa situação na Faixa de Gaza e as acusações de genocídio envolvendo Israel. Na conversa, parte do livro Leão XIV: cidadão do mundo, missionário do século XXI, o pontífice afirmou que a Santa Sé não pode se manifestar a favor da afirmação de genocídio.
“Oficialmente, a Santa Sé não acredita que possamos nos pronunciar sobre isso no momento. Há uma definição muito técnica do que seria genocídio, embora cada vez mais pessoas levantem essa questão”, destacou o papa, que possui cidadania americana e peruana.
Recentemente, investigadores independentes vinculados à Organização das Nações Unidas (ONU) apontaram que Israel estaria cometendo genocídio na região com o intuito de exterminar a população palestina; uma acusação que é veementemente negada pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
O pontífice expressou preocupação com a incapacidade dos Estados Unidos em pressionar Israel a moderar suas ações e permitir um alívio efetivo para a grave crise humanitária que aflige Gaza, onde a ONU aponta uma situação de fome extrema.
“Apesar de algumas declarações muito claras do governo dos Estados Unidos, não houve uma resposta clara para encontrar formas eficazes de aliviar o sofrimento das pessoas, do povo inocente de Gaza”, disse Leão XIV.
Além disso, ao final de uma audiência geral no Vaticano, o papa reiterou sua solidariedade aos civis afetados e condenou o deslocamento forçado da população devido a ações militares israelenses.
“Transmito minha profunda solidariedade ao povo palestino de Gaza, que continua vivendo com medo e sobrevivendo em condições inaceitáveis”, declarou.
O Vaticano, sem abrir mão de sua neutralidade, reconhece a Palestina como um Estado e defende a criação de dois Estados como solução para o conflito. A instituição ainda clama por um cessar-fogo e uma saída pacífica para a crise.
Dados do Ministério da Saúde da Gaza, que a ONU considera verídicos, assinalam que mais de 65 mil palestinos foram mortos, em sua maioria civis, desde o início do conflito.























