As exportações da tradicional bebida brasileira registraram um salto expressivo no último ano, impulsionadas pelo avanço de 19,4% no volume comercializado e de 17,4% no faturamento em comparação ao período anterior. Contudo, levar a iguaria para fora das fronteiras nacionais exige planejamento rigoroso, organização produtiva e adequação a normas rígidas para alcançar o consumidor estrangeiro.
Superando barreiras além da tradição
Embora o país seja reconhecido pela identidade cultural e pelo sabor único de suas produções artesanais, esses atributos por si só não bastam para garantir espaço nas prateleiras globais. De acordo com a analista de agronegócio Nathália Rabelo, um dos principais desafios é organizar a produção para que os empreendimentos consigam oferecer seus produtos de maneira consistente e competitiva.
“Organização dos produtores, regularização, padronização e controle de qualidade, além de escala, adequação às exigências de cada mercado e acesso a canais de comercialização e promoção internacional”, detalha a especialista. Para contornar esses obstáculos, iniciativas como a Assistência Técnica e Gerencial atuam diretamente na melhoria da gestão dos negócios.
O caso de sucesso em Córrego Fundo
No interior mineiro, a realidade dos pequenos alambiques reflete a complexidade desse cenário. A marca familiar produzida na cidade de Córrego Fundo alcançou destaque nacional ao figurar entre as cinco melhores no Prêmio CNA Brasil Artesanal, atestando o alto padrão de excelência da receita.
Apesar da premiação de destaque, a expansão global esbarra em dificuldades financeiras e logísticas. Segundo Mírian Carolina Silva, responsável pela produção local, “romper várias barreiras de volume, custo e colocar o produto no mercado exterior. Precisamos de uma melhor estratégia comercial e de união setorial para viabilizar a exportação”.
O papel estratégico do agroBR
Para aproximar os fabricantes das oportunidades globais, o programa agroBR elegeu a cadeia da bebida como uma das prioridades de atuação. A iniciativa auxilia na identificação de países com potencial de consumo e na construção de estratégias comerciais alinhadas aos diferenciais da bebida mineira.
A consultora Tatiana Barros destaca que a principal dificuldade reside na captação de clientes que compreendam o valor agregado do produto artesanal. “O grande desafio é encontrar o mercado e o consumidor que reconheçam e valorizem aquilo que torna a cachaça mineira diferente. É justamente na preparação, conexão e abertura de mercados que o agroBR pode contribuir”, afirma.
Com o suporte de capacitações e parcerias estratégicas, o setor busca consolidar sua presença global. A meta dos produtores é transformar o reconhecimento cultural em negócios duradouros, garantindo que a qualidade dos alambiques brasileiros ganhe ainda mais destaque internacional nos próximos anos.
Com informações Sindijori_2























