O que começou como um pequeno grupo de WhatsApp entre amigos de infância se consolidou, ao longo de 2025, como uma experiência singular de reconexão e convivência ativa entre ex-alunos da Fundação Itabirana Difusora do Ensino (FIDE). Intitulada RAMPA – Rede de Amigos, Memória e Parceria, a iniciativa conta atualmente com 85 integrantes, todos nascidos em 1974 e 1975, que compartilham a vivência escolar em Itabira e mantêm uma interação intensa e cotidiana.
Com centenas de mensagens trocadas diariamente, o grupo se transforma em um espaço de resgate de histórias da infância e adolescência, lembranças do ambiente escolar, referências musicais, conversas informais, trocas profissionais e relatos pessoais. Esta dinâmica ultrapassa a simples nostalgia, construindo um ambiente colaborativo onde antigos colegas se redescobrem como amigos, décadas após o período escolar.
O nome RAMPA carrega um simbolismo forte para os participantes. Além de ser uma sigla, faz referência direta à rampa posterior da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA), local emblemático da juventude de muitos integrantes, onde ocorreram encontros marcantes da adolescência, entre conversas despretensiosas e descobertas afetivas.
A origem do RAMPA remonta a apenas cinco integrantes, amigos inseparáveis desde a infância, que estudaram juntos na mesma sala por vários anos. A expansão do grupo ocorreu após o aniversário de um dos membros fundadores, evento que funcionou como ponto de virada. Desde então, todos passaram a atuar como administradores, resgatando contatos antigos e convidando ex-colegas de escola, resultando em um crescimento orgânico impulsionado pelo interesse comum de reconstruir vínculos.
Com o aumento do número de participantes, o grupo desenvolveu uma cultura própria. Um dos elementos centrais dessa identidade são os “10 Mandamentos do Rampeiro”, um conjunto bem-humorado de regras que orienta a convivência, promovendo leveza nas interações e a valorização de encontros presenciais. Entre as diretrizes estão a recomendação de evitar temas como futebol, política, religião e debates densos, preservando um ambiente afetivo e harmonioso.
A interação virtual rapidamente extrapolou para o espaço real. O RAMPA já promoveu grandes encontros presenciais, reunindo cerca de 40 participantes, além de diversas confraternizações menores. O último reencontro ocorreu no dia 27 de dezembro, em Itabira, reforçando o vínculo com a cidade que marcou a trajetória comum dos integrantes.
Um dos projetos mais simbólicos da rede é a produção colaborativa do livro “101 lições que aprendi na FIDE”, que reúne textos de quase todos os participantes como um exercício coletivo de memória e reflexão sobre a experiência escolar. O livro conta com um prefácio póstumo do Irmão Cristino, combinando homenagem, tecnologia e afetividade.
A trajetória do RAMPA mostra como vínculos formados no ambiente escolar podem ser ressignificados ao longo do tempo. Mais do que um espaço de lembranças, a rede se consolida como um ambiente de novas amizades e fortalecimento do senso de pertencimento. Após 35 anos de histórias compartilhadas, antigos colegas — próximos ou não no passado — reconstroem, no presente, uma relação marcada por afeto, colaboração e o desejo de manter essa comunidade viva.
CONFIRA OS DEZ MANDAMENTOS DO “RAMPEIRO”:
- Amarás o grupo RAMPA sobre todos os outros grupos silenciados.
- Não falarás de futebol, política ou religião.
- Fugirás de temas densos e polêmicos.
- Todos são administradores, portanto: responsabilidade coletiva.
- O duplo sentido é permitido, desde que faça rir.
- Brigas devem ser resolvidas com ironia fina ou cerveja.
- Relações profissionais entre Rampeiros são estimuladas.
- Encontros são dever de todos: quem não organiza, ajuda.
- Áudios longos só serão tolerados se forem realmente bons.
- A RAMPA é lugar de amizade antiga e liberdade responsável.

























