Quinta, 04 de junho de 2026

UFMG avança em vacina contra dependência de crack e cocaína com testes em humanos

UFMG avança em vacina contra dependência de crack e cocaína com testes em humanos
Foto: Divulgação

O Governo de Minas e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) anunciaram, nesta quinta-feira (28), a concessão da carta patente nacional e internacional da vacina Calixcoca, uma inovação terapêutica no combate à dependência de crack e cocaína. A revelação foi feita pelo governador, Romeu Zema, e pela reitora, Sandra Goulart, durante solenidade em homenagem aos 40 anos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), que é co-titular da patente junto à UFMG.

A partir de agora, uma nova fase se inicia com a vacina, que entrará em testes clínicos em humanos, uma etapa crucial para transformar a pesquisa em uma alternativa terapêutica efetiva. Os testes contarão com um investimento de R$18,8 milhões, sendo R$10 milhões da Secretaria de Estado da Saúde (SES-MG) e R$8,8 milhões da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), através da Fapemig.

Diferentemente de vacinas testadas em outros países, a Calixcoca é não proteica, baseada na molécula sintética V4N2 (calixareno), que induz o organismo a produzir anticorpos que se ligam à cocaína no sangue, impedindo a droga de atingir o cérebro e bloqueando seus efeitos.

Os resultados pré-clínicos não apenas mostraram a produção de anticorpos, mas também a redução de abortos espontâneos em ratas prenhes expostas à droga. Os filhotes nasceram mais saudáveis e resistentes. Este projeto recebeu importantes honors, como o Prêmio Euro Inovação na Saúde (2023) e o Prêmio Veja Saúde & Oncoclínicas de Inovação Médica (2023).

“A Calixcoca é a primeira vacina vinculada ao consumo de crack e cocaína. Esse imunizante já demonstrou uma eficiência muito alta nos testes, realizados até então em camundongos, diminuindo a dependência e os efeitos da droga. Esse investimento de quase R$ 20 milhões fará com que essa vacina passe para essa nova fase de testes, para que em alguns anos ela possa ser utilizada na rede pública”, afirmou Fábio Baccheretti, Secretário de Estado de Saúde.

Em 2024, R$14,6 milhões foram repassados, e ainda R$1,69 milhão será pago em 2025. O restante, R$2,6 milhões, será repassado entre 2026 e 2027. Além disso, por meio de chamadas públicas da Fapemig, outros R$500 mil já foram investidos no desenvolvimento da pesquisa.

Com informações de Agência Minas Gerais

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