Quinta, 16 de abril de 2026

Santa Casa de BH alerta sobre possível suspensão de cirurgias devido à falta de sangue

Santa Casa de BH alerta sobre possível suspensão de cirurgias devido à falta de sangue
Foto: Reprodução/Santa Casa de BH

A Santa Casa de Belo Horizonte acendeu um sinal de alerta para a possibilidade de cancelamento de cirurgias e transplantes caso os estoques de sangue não sejam recompostos nas próximas semanas. O hospital, que é responsável pelo maior volume de procedimentos cirúrgicos em Minas Gerais, já enfrenta uma redução nas reservas no momento em que a demanda normalmente aumenta.

A queda nas doações no fim de ano é um cenário já conhecido por unidades de saúde em todo o país. Durante viagens, feriados e mudanças de rotina, a presença de doadores no Hemominas, órgão que abastece a Santa Casa, é significativamente reduzida. Neste momento, tipos sanguíneos como O positivo, O negativo, A negativo e B negativo estão na zona de atenção.

A gravidade da situação pode ser ilustrada pelo impacto em transplantes complexos, como o de fígado, que pode exigir cerca de 60 bolsas de sangue.

Profissionais do hospital relatam que o cenário já está afetando o atendimento. A enfermeira Camila de Souza, da agência transfusional, descreve a pressão diária sobre o serviço. “Os pacientes graves continuam chegando, muitos deles dependentes de transfusões recorrentes, mas o estoque está abaixo do necessário”. Nesse contexto, as cirurgias eletivas são as primeiras a sofrer ajustes. Há casos em que médicos são informados, no momento da internação, que não há sangue suficiente para realizar o procedimento como previsto.

O risco é que esse quadro se agrave em dezembro e se estenda para janeiro, período que, historicamente, apresenta baixa adesão às campanhas de doação. Em nota, a Santa Casa reforçou que a queda começou a se intensificar desde novembro e pode levar ao adiamento de procedimentos se a situação não for revertida. A gerente da Agência Transfusional, Melina Naves, enfatiza que o desafio é constante e se agrava na virada do ano.

Dados do Ministério da Saúde mostram que apenas 1,4% da população brasileira doa sangue regularmente, o que equivale a 14 doadores para cada mil habitantes, resultando em pouco mais de três milhões de doações anuais no Sistema Único de Saúde. Em Belo Horizonte, o Hemocentro e outras duas unidades de coleta atendem pessoas aptas à doação com agendamento.

Embora a campanha destaque os critérios básicos — boa saúde, idade entre 16 e 69 anos, peso superior a 50 quilos e apresentação de documento com foto —, o hospital reforça que o mais importante é lembrar que sangue não pode ser substituído por nenhum outro recurso. A orientação é que quem puder doar reserve um tempo entre os compromissos de fim de ano para ajudar a manter o atendimento hospitalar sem interrupções.

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