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Adoniran Barbosa, nascido João Rubinato em Valinhos–SP, imortalizou a expressão: “Fica mais um pouco, amor” em uma de suas canções. Da mesma forma, a inesquecível Beth Carvalho interpretou, de Argemiro Patrocínio e Casquinha, a famosa “A chuva cai”, onde se suplica: “Espere um pouco. Não vá agora. Você ficando, vai fazer feliz um coração”. Essas letras refletem uma vontade de prolongar momentos de afeto e presença, um desejo de que algumas despedidas sejam apenas ilusões.
Atualmente, existe uma preocupação crescente da comunidade médica e das autoridades de saúde sobre os riscos da depressão patológica, que em muitos casos leva a tentativas de suicídio. Além dos cuidados e tratamentos que visam à redução de danos, é crucial também abordar as causas. Entre os fatores identificados, incluem-se solidão, abandono, desilusões amorosas (TDM), estresse devido a trauma (Distimia) ou ambientes insalubres, apatia e falta de perspectivas sociais ou profissionais (Burnout).
Particularmente alarmantes são os índices entre as Pessoas com Deficiência, que apresentam uma taxa de tentativas de autoextermínio quatro vezes superior à média da população. Essa situação é ainda mais exacerbada, já que a condição pode dificultar a expressão de suas emoções, muitas vezes confundidas com consequências de sua deficiência.
A incidência da depressão mostra um aumento considerável na classe média baixa, especialmente entre adolescentes e jovens adultos, que sentem-se impotentes diante das adversidades que enfrentam. As novas tecnologias facilitaram o contato virtual, mas ao mesmo tempo, propiciaram distanciamento e impessoalidade nas relações, afetando até as expressões de emoções, agora frequentemente representadas por emojis.
Estudos indicam que alguns bairros da Capital Federal revelam índices alarmantes de solidão e depressão, não se restringindo a áreas de vulnerabilidade social, mas atingindo também a classe média, onde muitos indivíduos atuam apenas em empregos públicos por segurança financeira, e não por vocação.
Como lembrado pelo poeta Vinícius de Moraes em sua canção: “O meu vizinho do lado se matou de solidão…”. Parte da solução pode ser uma maior valorização do contato humano, com mais abraços e menos mensagens virtuais.
Mário Ananias é monlevadense, servidor público, escritor, palestrante e autor do livro Sobre Viver com Pólio. Para mais informações, acesse mariosrananias.com.br.
























