Domingo, 15 de fevereiro de 2026

Inovadora prótese antibiótica promete revolucionar o tratamento de infecções em cirurgias

Inovadora prótese antibiótica promete revolucionar o tratamento de infecções em cirurgias
Foto: Divulgação PUC-PR

A substituição de articulações desgastadas por próteses tem proporcionado uma significativa melhora na qualidade de vida de pessoas com diferentes condições de saúde, especialmente idosos. Após o procedimento, muitos conseguem voltar a se locomover sem dor. No entanto, em alguns casos, a recuperação é interrompida por infecções, que exigem tratamento prolongado com antibióticos e a retirada das próteses, limitando a rotina dos pacientes.

Um projeto desenvolvido por pesquisadores paranaenses busca mudar esse cenário. A equipe criou uma prótese biodegradável, impressa em 3D, a partir de um polímero plástico que pode ser combinado com antibióticos. Atualmente, o material está em fase de testes clínicos e já foi aplicado em 15 pacientes no Hospital Universitário Cajuru em Curitiba, com resultados preliminares positivos.

“No SUS, atualmente, não existe uma prótese temporária com antibiótico acessível. As opções disponíveis são importadas e têm um custo elevado”, destaca o professor Felipe Francisco Tuon, que lidera a pesquisa.

Quando um paciente desenvolve uma infecção, é necessário remover a prótese permanente de titânio e o paciente tem que ficar sem nenhum substituto durante o tratamento, que pode durar pelo menos seis meses. Durante esse período, o paciente sofre com dor e, dependendo da localização da prótese, pode perder mobilidade. Portanto, a nova prótese de polímero foi idealizada para substituir a permanente durante o tratamento, fornecendo antibiótico diretamente na área afetada. Após a erradicação da infecção, o paciente poderá receber novamente a prótese permanente, com menos risco de complicações.

A utilização da impressão 3D oferece a vantagem de produzir tanto modelos padronizados em larga escala, quanto próteses personalizadas e com baixo custo. “Para pacientes que necessitam de próteses de tamanho diferente do padrão, a equipe pode realizar uma tomografia computadorizada e criar uma prótese com características específicas”, complementa Tuon.

Os pacientes que receberam a prótese temporária de quadril continuam em avaliação, e a equipe planeja iniciar novos testes clínicos para próteses de joelho e ombro no próximo ano.

O grupo também está ampliando a estrutura de produção, recebendo um financiamento de R$ 3 milhões do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Este novo centro de impressão 3D permitirá que as próteses sejam enviadas à rede pública de todo o Brasil.

“O objetivo é fornecer próteses para todos os hospitais que desejarem participar do projeto. Temos a capacidade de produção necessária e material suficiente para anos de próteses”, conclui Tuon.

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