Domingo, 25 de janeiro de 2026

Estudo revela que uma em cada 23 adolescentes no Brasil se torna mãe anualmente

Estudo revela que uma em cada 23 adolescentes no Brasil se torna mãe anualmente
© Imagens/TV Brasil

Uma pesquisa realizada pelo Centro Internacional de Equidade em Saúde da Universidade Federal de Pelotas (ICEH/UFPel) revelou que uma em cada 23 adolescentes entre 15 e 19 anos no Brasil se torna mãe a cada ano. Entre 2020 e 2022, mais de 1 milhão de jovens desta faixa etária tiveram filhos, enquanto o número de meninas entre 10 e 14 anos que também se tornaram mães ultrapassou 49 mil.

Segundo a legislação brasileira, todas as gestações nesta faixa etária são consideradas como resultado de estupro de vulnerável.

A pesquisa, que avaliou a taxa de fecundidade em mais de 5,5 mil municípios brasileiros, indicou que um em cada cinco municípios tem taxas de fecundidade comparáveis às dos países mais pobres do mundo.

A taxa de fecundidade nacional entre adolescentes é de 43,6 nascimentos por mil adolescentes, quase o dobro da observada em países de renda média alta (24 por mil), e significativamente superior às taxas registradas por países do grupo BRICS, como Rússia, Índia e China, onde a taxa máxima não ultrapassa 16,3 por mil.

O epidemiologista e líder do estudo, Aluísio Barros, expressou preocupação com os resultados, afirmando que esperava que a maioria dos municípios apresentasse indicadores semelhantes aos de países com níveis de renda semelhantes ao Brasil. Contudo, ele relatou que 69% dos municípios apresentam taxas piores do que o esperado para um país de renda média alta. Além disso, 22% possuem indicadores de fecundidade tão altos quanto os de países de baixa renda.

A Região Sul apresenta uma taxa de 35 por mil, enquanto no Norte a taxa mais do que dobra, atingindo 77,1 por mil. A disparidade é notável na classificação municipal: 76% das cidades do Norte estão na faixa de fecundidade de países de baixa renda, contra apenas 5,1% no Sudeste e 9,4% no Sul.

Os dados revelam que a privação socioeconômica é um dos fatores mais associados às altas taxas de fecundidade. Barros concluiu que “os municípios com escassez de recursos, baixa renda, analfabetismo e infraestrutura precária apresentam as maiores taxas de fecundidade adolescente”.

A superintendente geral da Umane, Thais Junqueira, ressaltou que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece diversas ações voltadas à saúde sexual e reprodutiva, como o acesso gratuito a métodos contraceptivos e programas de educação sexual para adolescentes. Junqueira defendeu que “as pesquisas são fundamentais para entendermos os múltiplos desafios que ainda enfrentamos no Brasil”.

A pesquisa foi lançada como parte de uma nova página do Observatório da Saúde Pública, que visa monitorar e dar visibilidade às disparidades de saúde no Brasil, em uma iniciativa em parceria com a Umane.

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