O Alzheimer foi por muito tempo relacionado exclusivamente ao envelhecimento, mas pesquisas recentes mostram que oscilação hormonal durante a perimenopausa e a menopausa pode impactar a saúde cerebral feminina.
Pesquisadores sugerem que a doença pode começar a se desenvolver até décadas antes do aparecimento de sintomas visíveis.
A reportagem do Fantástico da Globo destacou depoimentos de mulheres cuja vida foi drasticamente alterada devido ao Alzheimer em familiares, como a história de Maria Edileusa da Silva, que dedica sua rotina ao cuidado da mãe diagnosticada.
Essas vivências geraram o interesse da neurocientista Lisa Mosconi, que pesquisa os efeitos da doença no cérebro feminino, inspirada pela experiência de sua família, onde três das quatro irmãs foram diagnosticadas com Alzheimer, enquanto o único homem não.
No seu trabalho em uma universidade americana, Lisa lidera um estudo de três anos focado na saúde cognitiva das mulheres, que já apresentou resultados relevantes: em cada três diagnosticados, dois são mulheres. Ela ressalta que essa diferença não pode ser apenas explicada pela longevidade feminina.
As investigações indicam que as oscilações hormonais durante a perimenopausa e a menopausa desempenham um papel crítico. O estrogênio, fundamental para várias funções cerebrais, perde sua ação protetora quando seus níveis diminuem:
“Quando os níveis diminuem, o cérebro passa a perder um hormônio importante. O Alzheimer não é apenas uma doença da velhice. Seu início pode ser silencioso e ocorrer por volta dos 45 a 50 anos” – Lisa Mosconi.
De acordo com o neurocientista brasileiro Mychael Lourenço, já existem exames que podem identificar alterações precoces relacionadas à doença, com marcadores sanguíneos que indicam sinais iniciais. Esses testes foram aprovados nos EUA e devem chegar ao Brasil em breve, representando um avanço significativo no diagnóstico.
Entretanto, Mychael frisa a importância de distinguir os esquecimentos comuns de um quadro neurodegenerativo, sendo o principal sinal de alerta quando a perda de memória interfere nas atividades diárias e piora com o tempo.
Lisa Mosconi ainda aponta que adotar um estilo de vida saudável pode ajudar a reduzir o risco de Alzheimer. Isso inclui reposição hormonal (quando indicado), exercício físico regular, alimentação equilibrada, controle do estresse, e qualidade do sono adequada. Assim como evitar o uso de cigarros e o consumo excessivo de álcool, visto que altos níveis de cortisol podem afetar humor e memória.
O Fantástico também compartilhou relatos de mulheres que já tomam iniciativas como atividade física e alimentação saudável, como a artista plástica Maria do Socorro Leal, de 90 anos, que se mantém ativa e acredita que cuidar da saúde é essencial.
Ela conclui:
“É importante saber que a ajuda está no caminho”
























