Os 44.800 habitantes do município de Santana do Paraíso, situado no Vale do Aço, enfrentam sérias dificuldades diárias devido à escassez de água. Os moradores do Distrito de Ipabinha constroem uma narrativa de luta e resistência ao consumir água do Rio Doce, que está contaminada por rejeitos do desastre de Mariana, ocorrido em 2015.
No último dia 16, em uma audiência pública realizada pela Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), denúncias sobre a situação foram apresentadas por vereadores e residentes da região.
O vereador Alessandro Fábio ressaltou que os bairros Central, Cidade Nova e Parque Caravela são os mais afetados pela falta d’água, dependendo diariamente de caminhões-pipa. Ele também alertou para um problema adicional: tubulações que permitem a entrada de ar, levando os moradores a pagarem por água não consumida. “A maioria dos moradores não paga água, mas sim ar”, denunciou.
Outro vereador, Marcelo da Cláudia Laje (MDB), criticou a qualidade dos serviços de água e esgoto da Copasa, concessionária que opera na área desde 2006. Ele chamou atenção para o saneamento básico deficiente, com esgoto exposto a céu aberto em diversas localidades do município.
O deputado Adriano Alvarenga (PP), presidente da comissão que promoveu a audiência, enfatizou que “não é aceitável ter esgoto a céu aberto em pleno século XXI”. Ele anunciou que levará as queixas sobre os serviços precários da concessionária ao presidente da Copasa em uma reunião marcada para 21 de novembro. “Quero mostrar a ele o quanto a Copasa tem deixado a desejar com Santana do Paraíso”, destacou.
O vereador Celinho Sintrocel (PCdoB) também criticou a falta de investimentos da Copasa, responsabilizando-a pelos problemas crônicos no sistema de água e esgoto. “Para melhorar o abastecimento e o tratamento de esgoto, a Copasa precisa investir, pois recebe taxas de todos os cidadãos”, apontou.
Sobre a qualidade da água consumida, Neuza Batista, moradora do distrito, revelou que o poço artesiano da Copasa fica submerso durante as enchentes, contaminando-a com lama trazida pelo rompimento da Barragem da Samarco em 2015. “A água fica barrenta e ninguém confia em sua qualidade”, expressou.
O vereador Rodrigo Índio (PP) destacou a situação ao apresentar uma amostra da água suja consumida pelos moradores, que se veem obrigados a comprar água mineral, enquanto os menos favorecidos têm que filtrar a água cheia de ferro e manganês.
“Desde o rompimento em Mariana, temos enfrentado problemas com a qualidade da água”, lamentou. O distrito abriga cerca de 3 mil pessoas.
Thiago Giselito, gerente regional da Copasa, afirmou que os problemas de abastecimento são “pontuais” e destacou que já faz 15 dias que não há interrupções no serviço. Ele anunciou investimentos em reservatórios e equipamentos, além de R$ 40 milhões para melhorar o esgotamento sanitário. Antes, apenas 2% da cidade tinha acesso à coleta e tratamento de resíduos.
Sobre a água contaminada em Ipabinha, Giselito prometeu visitar o distrito para averiguar a qualidade da água e buscar as soluções adequadas.
























