Sexta, 22 de maio de 2026

Recorde de brasileiros migram para o Paraguai: fatores políticos e econômicos

Recorde de brasileiros migram para o Paraguai: fatores políticos e econômicos
O governo do Paraguai adota uma política de incentivo à migração- Foto: Direção Nacional de Migração/Governo do Paraguai

Longas filas de brasileiros em postos migratórios do Paraguai tornaram-se frequentes, impulsionadas por fatores econômicos e justificativas de ordem política. A migração de brasileiros rumo ao Paraguai atingiu número recorde em 2025; mais de 23 mil pessoas ultrapassaram a fronteira em busca de uma “nova vida”, solicitando residência permanente junto ao governo paraguaio.

A proximidade entre os países, a facilidade migratória proporcionada pelo Mercosul e os baixos custos tributários e regulatórios também fomentam o fenômeno.

Nas redes sociais, multiplicam-se os vídeos ressaltando relatos de deslocamentos bem-sucedidos, embora especialistas salientem que os desafios são igualmente variados.

A comerciante Gleita Barbosa, de 49 anos, há um ano tomou a radical decisão de deixar para trás a casa, o carro e o comércio que tinha em São Paulo, mudando-se com o marido para Ciudad del Leste, o segundo maior município do país vizinho, situado na tríplice fronteira com o Brasil e a Argentina. Gleita já havia vivido como imigrante nos Estados Unidos e na Europa, buscando melhores condições de vida, e conta que, dessa vez, a motivação foi ideológica.

“Estávamos desgostosos e cansados de viver no Brasil por conta da situação política. Viemos sem planejamento, mas foi a melhor decisão que tomamos. Nos arrependemos de não ter vindo antes. Aqui sentimos que temos mais oportunidades. No Brasil, precisávamos enfrentar dificuldades imensas; aqui, as demandas são mais gerenciáveis. Virei paraguaia de coração.”

Gleita agora se aventura como influenciadora nas redes sociais, mostrando o dia a dia do país que a adotou. Ela faz parte dos 23.526 brasileiros que receberam autorização de residência em 2025, segundo a Direção Nacional de Migrações do Paraguai, um número que corresponde a mais da metade dos 40,6 mil pedidos totais, sendo cinco vezes maior que a Argentina, a segunda escolha dos brasileiros, com apenas 4,3 mil.

Desde o fim da ditadura, em 1989, o Paraguai foi governado por presidentes de direita, exceto entre 2008 e 2012, quando o ex-bispo católico Fernando Lugo assumiu. O atual presidente, Santiago Peña, incentivou correntes migratórias conhecidas como Migramóvil, oferecendo facilitadores a estrangeiros que desejam se estabelecer no país.

O professor de Direito Internacional Solando Camargo, da Universidade de São Paulo (USP), explica que o fluxo entre os dois países é heterogêneo:

“Não existe um perfil único. Há empresários e empreendedores que veem um ambiente de custo operacional menor, tributação simples e burocracia reduzida. Há ainda os chamados ‘brasiguaios’, que buscam terras mais baratas e expansão agrícola, além de estudantes brasileiros, principalmente nas áreas de Medicina e Odontologia, que buscam mensalidades mais acessíveis.”

Por outro lado, o especialista alerta que o país não oferece a mesma estrutura estatal e institucional que o Brasil, como o SUS, um sistema judiciário mais organizado, um Ministério Público forte e uma administração mais sofisticada.

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